A Doença -

    Domingos Caldas Barbosa

    Editora 34
    2018
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788573267020
    Português Brasileiro

    Domingos Caldas Barbosa é um dos mais importantes poetas brasileiros do século XVIII e um dos fundadores da nossa música popular. Mestre na arte do improviso, interpretava suas rimas em saraus literários acompanhado por uma viola de arame. Nascido no Rio de Janeiro, filho de um alto funcionário português e de uma escrava de Angola, se estabeleceu em Portugal em 1763 para estudar Direito em Coimbra. Entretanto, com o falecimento do pai, se viu repentinamente só e sem recursos, tendo que abandonar a universidade. Valeu-se então de seu talento como poeta e músico para fugir à pobreza e cair nas graças da ilustre família dos Vasconcelos e Sousa, que o acolheu e patrocinou, abrindo caminho para que ingressasse na Arcádia de Roma sob o nome de Lereno Selinuntino. "A Doença", editado pela Imprensa Régia de Lisboa em 1777, é um poema autobiográfico em estilo épico, no qual Caldas Barbosa narra as dificuldades do início de sua vida em Portugal e faz o elogio à família de seus protetores. Praticamente desconhecido no Brasil, este texto é um raro registro da experiência de um mulato brasileiro no Setecentos, e ilumina de forma extraordinária as relações de poder e de compadrio entre homens livres e nobres portugueses durante o Período Pombalino. A presente edição traz o poema em ortografia atualizada, acompanhado de notas explicativas e um ensaio redigido por Lúcia Helena Costigan e Fernando Morato, da Ohio State University.

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    Bruno Oliveira10/09/2021Resenhou um livro
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    MAIS UM BRASILEIRO SOFREDOR EM TERRAS PORTUGUESAS

    A Doença, de Domingos Caldas Barbosa é um longo poema lírico (ou épico?) autobiográfico. Nele, ficamos cientes das dificuldades sofridas pelo poeta ao longo de sua vida em Lisboa. O poeta mistura muitas vozes narrativas — não é só ele que narra os seus perrengues, há um narrador e outras personas também. O livro é descaradamente (no bom sentido) um gesto de agradecimento do poeta aos seus mecenas, a família Vasconcelos da corte portuguesa. Esta edição da editora 34 é, claramente, um simples recorte de um estudo bem maior de seus organizadores. Assim, o texto introdutório e algumas notas de rodapé auxiliam o leitor a entender melhor certos pontos, certas referências que o poeta faz em sua obra. Contudo, outras notas atropelam a capacidade do leitor em interpretar o que é ali lido, tornando a experiência didática demais, o que nem sempre é bom. Outra falta: no livro, temos conhecimento de que o poeta é mais conhecido, e mais celebrado, por suas modinhas, suas canções e performances improvisadas em saraus e apresentações artísticas, ou seja, o livro que temos em mãos é o seu lado menos conhecido! Ora, esse ineditismo é super válido, tanto na academia quanto para o público em geral, mas, ao “meter os pés pelas mãos”, fica a sensação de que o livro seria melhor aproveitado com a sua publicação junta ou posterior a esses outros textos.

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