Irmãos - Uma História do PCC

    Gabriel Feltran

    Companhia das Letras
    2018
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 8535931619
    Português Brasileiro

    Em "Irmãos", o sociólogo Gabriel Feltran oferece uma interpretação alternativa àquelas que vêm ocupando o debate público brasileiro e que buscam comparar o PCC com outras organizações criminosas como os comandos cariocas, as gangues prisionais americanas ou as máfias italianas, russas ou orientais. Para o autor, o modo de organização do PCC tem mais a ver com as irmandades secretas, funcionando como uma maçonaria do crime — uma rede de apoio mútuo, pautada por um conjunto de valores considerados justos, em que ninguém deve atravessar os negócios nem a honra do outro irmão. Feltran percorre os momentos cruciais da história da facção: sua criação em Taubaté; a megarrebelião de 2001; a revolução interna de 2002, em que a visão igualitarista de Marcola ganhou força contra o projeto de terror público sob a liderança personalista de Geleião; as revoltas de 2006, que horrorizaram a classe média; as violentas disputas entre facções a partir de 2017. Irmãos apresenta um país em que o crime conquistou efetiva hegemonia política para partes significativas da população. Nele, o PCC emerge como uma entre outras instâncias de geração de renda, de acesso à justiça ou proteção, de ordenamento social, de apoio em caso de necessidade, de pertencimento e identificação, desafiando o projeto de uma comunidade nacional integrada, promessa que que a redemocratização não logrou entregar.

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    Letícia Pinho30/01/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma pesquisa excelente e necessária

    "Irmãos: uma história do PCC" é um livro para sair da caixinha. Gabriel Feltran fez uma pesquisa gigantesca e muito importante para entendermos os impactos da atuação da facção em todo o Brasil, especialmente no estado de São Paulo. O PCC é muito mais do que é descrito na mídia, muito mais do que é pintado pela segurança pública. Não estou defendendo a atividade criminosa - mas é muito complicado encaixarmos o PCC dentro de um espectro binário de certo e errado, bom e mau, mocinho e vilão. Estamos falando de milhares de pessoas que fazem parte de uma organização política, econômica e social. O PCC fez cair drasticamente o número de homicídios em cadeias, fez parar a circulação do crack (em "Estação Carandiru", o Dráuzio Varella fala muito sobre isso) e leva como lema principal a PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO. Outra coisa interessante pra mim é que ter lido "Abusado", do Caco Barcellos, me fez entender bastante o funcionamento do CV do Rio de Janeiro. Já "Irmãos" não só me mostrou que as facções são muito diferentes como o próprio Gabriel faz comparações entre os dois grupos. Eu sei que as pessoas que precisam ler esse livro - aquelas que dizem que bandido bom é bandido morto e não se esforçam para quebrar os estereótipos em que acreditam - não vão ler esse livro. Mas espero que essas informações cheguem até eles de alguma forma.

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