Esse é o segundo livro que leio do Olavo de Carvalho e resolvi escrever uma resenha somente após a leitura deste último. O que dizer? Quando se trata do Olavo de Carvalho o que se houve são dois extremos: ou é louvado como um gênio ou depreciado como um lunático. Apesar de minha orientação política à direita tentei ler a obra com o máximo de isenção. Pois bem, cheguei à seguinte conclusão (E tenho certeza que devo desagradar aos dois lados do espectro político): Olavo de Carvalho é muito inteligente, sem dúvida, mas não é nenhum gênio. Em boa parte do livro ele fala coisas triviais, mas que se tornaram tabu por conta do domínio marxista na nossa cultura. Sem dúvida é um cara muito instruído e profundo conhecedor de filosofia, mas há algo na sua maneira de expor seu conhecimento que não me agrada. A estrutura dos dois livros que li, uma sucessão de artigos muitas vezes sem conexão um com o outro, não é o tipo de leitura que me apraz. Gostaria de ler um livro com seu pensamento estruturado em uma sequência mais lógica (alguém, por favor, indique um livro nesse formato). Outro ponto que não me agrada em sua narrativa são as abordagens agressivas, muitas vezes questionando com termos depreciativos seus "adversários". Muitos artigos no livro são contestações a publicações de outros pensadores. O autor parte de um pensamento enunciado por outrem e o critica no seu artigo. E existem casos no livro onde há a tréplica de Olavo ao outro autor, mas não há a publicação da réplica! Ou seja, você fica apenas com a versão do Olavo!
Agora, dizer que é um louco é impossível. Olavo é muito inteligente e entende o mundo como ele é em 80% dos casos, na minha humilde avaliação. É um estilo duro e direto que pode fazer com que os mais sensíveis se afastem, mas não é porque não há "enfeites" que deva ser desconsiderado. Sua leitura do cenário "intelectual" brasileiro está correta, ao meu ver, principalmente no que diz respeito aos jornalistas e "formadores de opinião".
Concluindo, é uma obra importante para o cenário político e cultural brasileiro e deve ser lida por todos os interessados, mesmo os marxistas (principalmente por estes, que ficam alienados em um só tipo de literatura) para que se possa entender um pensamento que está se tornando cada vez mais aceito em nossa sociedade.