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    Inferior é o Car*lhø - Eles sempre estiveram errados sobre nós

    Angela Saini

    DarkSide Books
    2018
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788594541314
    Português Brasileiro
    4.3
    398 avaliações
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    Existem alguns “fatos” sobre as diferenças entre os sexos que nós crescemos sabendo. Homens são fortes, durões, mais inclinados à promiscuidade e melhores ao estacionar carros. Mulheres são mais sensíveis, menos intelectuais, não tão favoráveis ao sexo casual e são melhores cuidando da família. Certo? Errado. Defendidas há séculos por evidências superficiais — e enraizadas em nossa sociedade sexista —, essas visões parecem naturais, imutáveis e até mesmo legítimas, chegando, inclusive, a se perpetuarem em nosso vocabulário. Porém, ao serem examinadas de perto, não se sustentam. Em Inferior é o Car*lhø, lançamento da linha Crânio da DarkSide® Books, a jornalista britânica Angela Saini convida você a esquecer tudo o que sabe sobre as diferenças entre os sexos e embarcar em uma jornada esclarecedora sobre as mentiras e meias-verdades que a ciência propagou ao longo dos últimos séculos. As primeiras páginas já surpreendem ao resgatar uma troca de cartas ocorrida na era vitoriana entre Caroline Kennard, destaque no movimento feminista em uma cidadezinha de Massachusetts, nos Estados Unidos, e o naturalista inglês Charles Darwin. “Certamente acredito que as mulheres, conquanto, em geral, superiores aos homens [em] qualidades morais, são inferiores em termos intelectuais, e parece-me ser muito difícil, a partir das leis da hereditariedade (se eu as compreendo de forma correta), que elas se tornem intelectualmente iguais ao homem”, escreveu o autor de A Origem das Espécies em uma negação de tudo pelo que o movimento de mulheres lutava à época — e segue lutando até hoje. A srta. Kennard não hesitou ao enviar uma resposta inflamada que dizia: “Deixe que o ‘ambiente’ das mulheres seja semelhante ao dos homens, e com as mesmas oportunidades, antes de julgá-las, com justiça, intelectualmente inferiores a eles, por favor”. São pensamentos como o de Darwin que Angela Saini questiona em Inferior é o Car*lhø. Jogando luz sobre pesquisas controversas focadas nas diferenças entre os sexos — e não nas similaridades —, resultados de estudos tendenciosos que não incluíram a outra metade da população e até mesmo o machismo impregnado em laboratórios e universidades, ela investiga o mito de que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes em sua biologia, mostrando como traçar essa linha nos afeta não apenas individualmente, mas também como sociedade. Com diligência e uma linguagem objetiva, a jornalista apresenta em cada capítulo um recorte na história da ciência que difundiu o mito de que mulheres são inferiores, viajando o planeta para entrevistar cientistas, pesquisadores e especialistas e obter sempre os dois lados da história. A edição brasileira homenageia o trabalho da artista gráfica e ativista Barbara Kruger, e conta também com a introdução da professora de teoria literária e pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda, que publica em breve um livro sobre a quarta onda do movimento feminista. Leitura indicada pelo jornal The Independent e pelo TED Talks, livro do ano do Physics World e destaque na categoria de ciência e tecnologia do Goodreads Choice Awards de 2017, Inferior é o Car*lhø integra a linha Crânio, que publica material minuciosamente selecionado para nos ajudar a questionar o estranho e admirável mundo em que vivemos. Uma obra poderosa que revela uma perspectiva alternativa para a ciência em que mulheres não são excluídas, mas fazem parte desta história — e, sobretudo, ajudam a escrevê-la. Um livro para mulheres e homens que buscam igualdade em nossa sociedade, pois, ou vamos juntos, ou não vamos a lugar nenhum.

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    Thaís Caroline Rocha picture
    Thaís Caroline Rocha08/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Uma teoria que desconsidere metade da espécie humana é tendenciosa."

    Com a chegada do século das luzes, a ciência ganhou destaque e assumiu o lugar de saber. No entanto, esse saber produzido pela ciência sempre foi atravessado pelo homem. A título de exemplo, ao pensarmos em Charles Darwin, que fez uma significativa contribuição para a ciência, não se pode esquecer que ele era um homem vitoriano, logo, conservador e crente na inferioridade da mulher. Para Darwin, os cargos intelectuais eram ocupados por homens, como ele não via mulheres nessas posições, a explicação dele para isso foi a biologia, que ele bem descreveu no seu livro A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo. Mas o que será que a mulher tinha como destino na época? Ocupar cargos intelectuais, perspectivas de carreiras na academia, ou serem esposas, mães e donas de casa? Durante muitos séculos foi assim, somente homens produzindo ciência, ciência sobre mulheres inclusive, também eram produzidas por eles. Não existia ciência sobre a mulher sendo uma produzida por mulheres. Sabe aquelas coisas que seriam um absurdo serem ditas em uma mesa durante uma conversa? Elas tornavam-se plenamente aceitáveis com a "carteirada" da ciência, quando se vestia de caráter cientifico. Nesse livro, Angela Saini organizou várias pesquisas, pesquisadores que concordam e discordam entre si, e assim nos presenteou com um livro que expõe todas as contradições científicas e seus produtos, a luta de pesquisadoras e cientistas para terem seus trabalhos reconhecidos, quando na verdade elas eram amplamente ignoradas pela comunidade acadêmica, sequer eram lidas. A ciência legitimou a desigualdade entre os sexos durante muitos séculos. Você acha que ciência é um estudo empírico e imparcial? Ok, mas quem produz essa ciência? Quem legitima seu subproduto? A ciência não é neutra, seu resultado pode dar voz a uma série de preconceitos e equívocos.

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    Angela Saini

    Angela Saini é uma jornalista científica , radialista e autora britânica. Publicou os livros Geek Nation, Inferior e What Are You?.

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    Angela Saini