Pátria Chamada Amor é lançamento de Outubro de Marcia Rubim pela Editora Qualis. Ao trazer uma história sobre erros e recomeços, a autora garante uma trama envolvente do começo ao fim.
Tudo que o capitão Christiano almeja é conquistar a patente mais alta em sua carreira militar e, para isso, ele precisa que tanto sua vida profissional quanto pessoal sejam impecáveis. Ao servir em Niterói, no entanto, ele conhece Nina, jovem com uma vida repleta de problemas e que o fascina desde o primeiro contato. Desafiando as próprias circunstâncias, ambos passam a se relacionar, até um trágico acontecimento separar seus caminhos.
A história se divide em duas partes. Na primeira, temos o início da relação entre os protagonistas e conhecemos tanto o que será relevante para a compreensão de suas personalidades quanto para os próprios rumos que serão tomados pela história. É aqui que pouco a pouco somos apresentados ao passado de cada um, a seus anseios e medos, ao mesmo tempo que descobrimos com eles o sentimento que nutrem um pelo outro e conseguimos sentir a intensidade dessa relação. Já a segunda parte compreende os eventos após a tragédia prenunciada na sinopse e, particularmente, foi o momento que me conquistou em definitivo.
A escrita de Marcia Rubim faz da leitura completamente fluida. Mesclando narrativa com bastantes diálogos, a autora imprime velocidade ao virar de páginas sem perder o toque de emoção quando necessário. Ainda, foi muito interessante observar como estão presentes diversos jargões militares, o que fez da experiência de leitura mais rica. Em relação à narrativa, os capítulos se alternam em primeira pessoa pelas perspectivas de Christiano e Nina. Dessa maneira, não apenas conhecemos melhor cada um como também visualizamos os dois lados contados da história. Mas ter essa perspectiva completa tem um preço: se entre ambos ocorrem muitos mal-entendidos, ao leitor cabe apenas se angustiar por conhecer todos os detalhes e permanecer impotente, aguardando que as situações se resolvam com o passar de páginas.
Dessa maneira, Pátria Chamada Amor me prendeu justamente pela forma de como os conflitos se desenvolvem. Se minha leitura da primeira parte do livro foi mais superficial — uma leitura de quem está conhecendo território — na segunda me senti completamente inserida na trama e me vi torcendo pela resolução dos problemas. Ao mesmo tempo, me encantei pela força de Nina ao passo que amei e odiei Christiano. E não apenas os protagonistas me cativaram, como também as personagens secundárias. Embora haja um ou outro antagonista, no geral elas não exercem papéis de vilões, não há triângulos amorosos propriamente ditos, e isso me trouxe uma maior sensação de verossimilhança.
Pátria Chamada Amor me proporcionou uma leitura rápida e envolvente, especialmente por seus tantos altos e baixos. Os erros cometidos pelas personagens só fazem delas mais humanas e nos dá a chance de refletir sobre eles conforme os protagonistas buscam a redenção. Sem dúvidas, o que mais me emocionou foi a força da temática familiar presente na trama e a mensagem de amor que ressoa com o ponto final. Um livro que recomendo a quem busca uma história bonita e gostosa de ser lida.