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    Nenhum mistério -

    Paulo Henriques Britto

    Companhia das Letras
    2018
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788535931372
    Português Brasileiro
    4
    48 avaliações
    Leram66Lendo2Querem35Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos1Desejados35Avaliaram48

    "Tempo agora perdido/ (todo tempo se perde)/ vivo só nos vestígios", escreve Paulo Henriques Britto no segundo poema que compõe Nenhum mistério. Depois de um intervalo de seis anos desde o lançamento de Formas do nada, em 2012, o poeta põe à prova os limites das estruturas clássicas e retoma sua lírica brilhante e mordaz, marcada por uma forte descrença no sublime e no sentido. Conforme Britto anuncia, trata-se de uma "cruel lição", sem planos para o futuro, conclusões práticas ou teorias extravagantes. "(Nenhuma necessidade,/ aqui, de qualquer metáfora)": para quem sobrevive à dor acumulada dos anos, observando o passado como quem enxerga de um mirante, a decepção é o único elemento capaz de engendrar algum significado. De acordo com o poeta, que se sente em uma constante véspera, para toda solução há "um jeito de achar um problema". O vazio, ele pondera, é a única certeza dos dias que não trazem alento: "só amo o que não sei e não se explica".

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    Thays Pretti picture
    Thays Pretti28/02/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Nenhum mistério

    Quando vou para um livro de poemas, eu espero duas coisas: técnica e conexão. Técnica é algo mais simples de avaliar, é mais objetivo, depende de elementos quase sempre fixos que a gente de alguma forma procura no poema: ritmo, concisão, a forma como o texto se distribui e ocupa a página etc. Conexão já é algo muito mais subjetivo e cujos critérios são difíceis de estabelecer. Com este preâmbulo, posso falar de Nenhum Mistério, de Paulo Henriques Britto. O livro é fascinante em termos de técnica. A sonoridade é belíssima, a forma como os textos se distribuem e ocupam as páginas também. É fácil notar que o poeta se debruça sobre o texto, refina, trata. Porém, ao mesmo tempo, eu infelizmente não me conectei com quase nada. Tirando um ou outro poema ou verso que me alcançou (e que copiei no caderninho de referências), o livro, num geral, não conversou comigo. Os temas não me foram caros, os sentimentos não despertaram os meus. Passei pelo livro sem mistérios, com o perdão da brincadeira, e saí dele muito pouco maior do que entrei. Apesar disso, recomendo. Acredito que seja uma questão muito mais de simpatia que qualquer outra coisa, então pode ser que a conexão funcione com outros leitores. Além do mais, a técnica refinada vale uma visita.

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