Um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Um jovem autor que se tornará um dos grandes da nossa Literatura. Uma escrita madura, criativa, sensível – André De Leones escreveu um livro original ao tratar o cotidiano de forma única - “Eufrates” é imenso na sua proposta de abordar temas tão corriqueiros à vida de cada um.
Vários personagens e muitas histórias se misturam nessa trama tecida pelo autor, mas tudo gira em torno de dois amigos: Jonas e Moshe. Pessoas comuns, levando uma vida nada extraordinária, mas tudo contado de uma forma que parece que adentramos a alma de cada um. O autor percorre longas estradas pelas angústias que permeiam as histórias desses dois homens. Em um determinado ponto, você se indaga se é só sobre aquilo que o autor quer falar, mas aí compreende que nada é mais imenso e rico em detalhes do que as pequenas minúcias que regem o dia a dia de qualquer vida – a minha, a sua, a de Moshe ou Jonas.
Em uma entrevista, André De Leones diz escrever para “qualquer pessoa que esteja disposta a olhar para si e para o outro com um mínimo de interesse, cuidado e generosidade” – e ele parece sabes fazer isso como poucos. Cada sentimento de seus personagens é descrito e conduzido por mãos generosas, por um homem que penetra na alma humana e de lá retorna trazendo um mundo de reflexões.
A amizade de Jonas e Moshe é o que norteia o livro. Duas criaturas meio perdidas, amores mal resolvidos, perdas irreparáveis...indivíduos muito diferentes, mas imprescindíveis um ao outro. Jonas, mais equilibrado, tenta ancorar as fragilidades de Moshe, uma mente criativa e muito inteligente, mas que se perde diante das peripécias que o “destino” lhe apronta. Um ser que se acomodou na tristeza, vive sem grandes ambições, espera da vida só o que o tempo trouxer, não caminha atrás de mais nada. Essa apatia irrita quem o rodeia, mas Jonas segue sem o julgar.
O grande rio, O “Eufrates”, que aparece em um sonho para Moshe, é tido para ele, mesmo que não compreenda, como um lugar de união, um destino de paz, onde todos os desentendimentos e diferenças fossem relegadas ao esquecimento.
Foi difícil, para mim, procurar algumas palavras para falar sobre esse livro. A simplicidade do cotidiano, às vezes, faz nascer coisas inesquecíveis – assim é esse livro.