O dia em que a morte morreu de confusão -

    FERNANDA SUCHARSKI MATZENBACHER

    AUTORES PARANAENSES
    2018
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-10: 8594237146
    Português Brasileiro

    Aprisionada por uma cangalha que a acompanha desde o nascimento, Átina procura libertar-se da vida sem desafios. Aristo é um jovem amante do mar que tem com ela uma grande sintonia, mas guarda uma angústia profunda sobre a sua própria existência, o que acaba por afetar a forma como ele vê seu relacionamento. Átina e Aristo vivenciam um romance e, enquanto aquela está à procura de uma verdade que dê valor à sua vida, Aristo busca nesse romance a resposta para suas inquietações, acreditando que ao desgarrar-se irá encontrar sua essência e, então, o caminho da felicidade. A morte de um mendigo que nunca amou e foi rejeitado no céu interrompe a entrega de uma carta de despedida. O encontro com um velho pintor, que lhes apresenta Florida Panihila, sua obra mais significativa, levará os quatro a conhecer a realidade sem definitivo, a única em que podem salvar-se. E para chegar lá há um caminho intenso, do qual nenhum deles pode fugir. Beltrano é o mendigo que não tem espaço ou lugar e que, dentro de uma busca por provar que não se jogou na frente do carro que o atropelou, acaba por esconder a sua real perseguição: do significado do amor, em seu sentido mais amplo. Baltazar é um velho desgostoso com a vida, que acabou por deixar de pintar quadros e passou a dedicar-se a maquiar defuntos. A euforia com o suposto funcionamento de sua mente após a morte acaba por esconder a sua ansiedade mais profunda, a porta que deveria abrir na sua mente e no seu coração. Florida é o desaguar do velho em uma pintura na qual representa todo o seu tormento, mas também sua esperança, e que acaba por revelar-se como a proposta descarada da vida, sem as máscaras dos medos e dos desejos, mas que se esconde em suas contradições. Conduzindo cada um deles em busca da própria verdade, e deixando-os conduzir pelas histórias uns dos outros, eles terão de fazer uma releitura de seu passado e traçar os caminhos para responder às suas próprias perguntas.

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    Amanda Azevedo14/11/2018Resenhou um livro
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    Literatura e Filosofia em harmonia.

    O título é uma das características de um livro que mais me chama a atenção, sem dúvidas. E o título desse livro me instigou no momento em que o li — O dia em que a morte morreu de confusão, o que esperar de uma história com esse nome? E, para minha surpresa, ao iniciar a leitura percebi que tão inusitado quanto o título são os personagens criados pela autora. Átina, nossa protagonista, nasceu com uma cangalha no pescoço. Beltrano é um mendigo que, ao morrer, não foi aceito no céu. Baltazar, desiludido com a vida, decide abandonar sua profissão de pintor de quadros e passa a maquiar defuntos. Florida, personagem de um quadro — pintado por Baltazar — que ganha vida e ajuda os demais em suas jornadas. Porém, apesar de os personagens possuírem características incomuns, eles trazem consigo questões acerca da vida e da morte que rapidamente nos identificamos. A autora conseguiu construir personagens que são, ao mesmo tempo, peculiares e plurais; são singulares e também comuns. Através das inquietações dos personagens somos conduzidos por uma história que nos convida a conhecer melhor a nós mesmos. Com uma escrita poética e carregada de significados nas entrelinhas a autora nos mostra que, muitas vezes, para ter um futuro é necessário olhar com mais cuidado para algumas sombras do passado, mesmo que revisita-las nos doa. Com mestrado em Filosofia do Direito, percebemos reflexos da formação da autora na sua forma de conduzir essa história, pois ela consegue unir filosofia e literatura de um jeito acessível e interessante. Além de descrever e caracterizar os personagens e situações pelas quais eles passam de maneira única e bela. A leitura é fluida e os questionamentos pelos quais os personagens passam são introduzidos na história de maneira natural. Enquanto lia grifei inúmeras passagens que me trouxeram pensamentos bastante enriquecedores. Com personagens singulares e plurais em uma leitura agradável e, ao mesmo, incômoda e questionadora, eu diria que encontramos nesse livro algo presente em de cada um de nós: aquelas ambiguidades que, ao final, acabam se encaixando.

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