Bestselling author David Elliott explores how Joan of Arc changed the course of history and remains a figure of fascination centuries after her extraordinary life and death in a fiery, evocative novel-in-verse.
Voices: The Final Hours of Joan of Arc -
David Elliott
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Provavelmente essa resenha aqui vai ser mais uma repetição de outras resenhas desse livro, mas vou fazê-la mesmo assim pois resenhas são a minha forma de lembrar o que eu achei de um livro, então é importante que eu tenha isso. Pra falar a verdade, a única palavra que eu consigo pensar para Voices é "decepcionante" e provavelmente não do jeito que você espera. Em grande parte, eu gostei MUITO dessa coleção de poemas. Eu acho a ideia de utilizar objetos e conceitos ao redor da vida da Joana D'arc (como o conceito de vitória, a torre que ela ficou presa, o vestido, a armadura, etc) fantástica. E eu acho ainda mais incrível saber que o autor usou diferentes estilos de poesia da época para contar as histórias. Eu realmente gostei muito da forma que ele escreve e o tom de cada poema. Eu também gostei como ele usou partes reais das transcrições dos julgamentos da Joana logo após os poemas pelo ponto de vista dela. Acho importante que isso seja embasado na voz da própria. Entretanto, é aí que entra a parte decepcionante dessa coleção: embora David Elliott tenha um grande talento, eu não sei se ele foi a pessoa certa para escrever esse livro. Muitas resenhas falam sobre dois problemas pontuais em Voices e esses dois problemas também foram um ultraje pra mim. Primeiro, é o aspecto bem sexualizado e misógino (por vezes) em diferentes poemas. O livro abre com um prólogo que já remete a sexo. Eu ODIEI que existe um poema sobre a virgindade da Joana. As transcrições dos julgamentos são extensas. Eu não consegui entender a finalidade de focar em uma parte que um cara fala sobre nem passar pela cabeça dele molestar ou asseadiar a Joana pois ela era uma figura de deusa e logo depois colocar um poema sobre luxúria "encubada". Existe também um poema sobre a primeira espada dela e eu não sei COMO, mas Elliott consegui escrever uma espada misógina. O poema é bizarro. A espada fala sobre "as partes masculinas" dela e a narração toda faz parecer que por pegar numa espada, ela estava pegando num pênis. O poema inclusive utiliza o termo "phallus", que é basicamente um termo pra pênis ereto. (Eu nem quero tocar no assunto de como comparar uma espada e um pênis tem ligação com uma visão de masculinidade tóxica e de que homens são feitos pra guerra e blá blá blá) E como se essa visão não fosse suficiente, o ÚLTIMO poema, o mais importante, aquele que fecha o livro e conclui a história da Joana é sexualizado também. O poema é sobre o fogo (já que Joana foi queimada na fogueira por heresia) e há aquela velha história de violência e dor feminina como algo de apelo sexual. O fogo fala sobre penetrar a Joana e uns termos bem horríveis e é tudo de muito mal gosto. Além desse foco gigante em sexualizar tudo, o livro ainda nega ou omite uma grande parte de quem a Joana foi: a fé dela. Eu não sou religiosa, mas não tem como escrever sobre Joana D'Arc sem focar MUITO na religião. Tudo que ela fez foi pela fé. Eu não sei se David Elliott não é religioso ou se ele só sente repulsa por isso, mas o fato é que em certas vezes, ele meio que parece tirar sarro da fé de D'Arc no jeito que ele questiona os santos dela. Em um poema, ele pergunta: "Talvez ela nos viu, talvez não, isso importa?" SIM, [*****]! IMPORTA PRA [*****]. Ela é uma santa, [*****]!!! A vida dela foi a fé e você cria um poema questionando a própria visão dela? (O poema inclusive questiona se os santos realmente existiram) Do que adianta colocar a Joana como alguém que foi contra os costumes da época e basicamente transformar ela numa girlboss se você não vai falar sobre o motivo disso? Nenhum dos poemas na visão dela são claros sobre a fé dela. Tudo é omitido. Parece que ela vai para a guerra porque "o lugar dela não era no campo" ao invés de ela acreditar no chamado de Deus e nas vozes dos santos que ela ouvia. Parece que ela queria mais lutar contra o sistema machista do que atender seu chamado salvar o país pelas vozes dos santos. É uma versão meio modernizada dos fatos totalmente sem sentido. Eu gostei de diversas partes do livro, mas essas visões seletivas sobre a Joana D'Arc me decepcionaram muito. Grande parte do que ela foi não tá no livro. Eu quero MUITO dar uma nota melhor, mas me machuca essa omissão e sexualizada que o autor dá na dor de D'Arc. Enfim, não sei se recomendo a leitura. Alguns poemas são incríveis, mas David Elliott tem sérios problemas em escrever uma visão sensível da história da Joana.
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