Sabe quando a gente pensa que o dia passou rápido demais e cá estamos nós, desanimados com a chegada do dia seguinte? Sabe quando a gente percebe que daqui a algumas horas colocaremos nossos pés para fora de casa e toparemos na rua com as mesmas pessoas de sempre, as mesmas ações, ansiosos para que o dia termine e retornemos aos nossos lares? Vez ou outra encontramos algum imprevisto que sempre faz nossa respiração acelerar, depois notamos que aquilo que parecia não ter fim terminou antes do esperado e de repente nem deu tempo de pensar naquilo direito e lá se vão nossos pés à escolha de desviar da pedra ou chutá-la, para então prosseguirmos no caminho da vida. Para mim, esse livro fala sobre tudo isso e muito mais.
Fala sobre os sentimentos que nos vêm à tona quando menos esperamos. Fala também sobre a espera de um sentimento que nunca chega. Sobre a chegada de alguém que não esperávamos. Sobre a espera por alguém que demora para chegar. Sobre a importância de viver plenamente, apesar das incompletudes da vida.
Destaco breves comentários sobre alguns poemas:
- "Cinza": lembrou-me uma certa polêmica dos grafites em SP.
- "Bobo": essa alusão à Clarice conquistou meu coração!
- "Exílio": digno de ser estudado nas escolas.
- "Mar de gente": nesse momento eu estava ouvindo "Máscara", da Pitty. Não sei se foi coincidência, mas acho que combinou certinho.
- "Lácio": Bilac sorriu lá do céu.
- "De manhã" (crônica): simples, porém, plausível.
O que mais me chamou a atenção nesse livro foi que os temas estão dispostos de um jeito meio bagunçado, assim como a vida. Explico: num único dia sentimos coisas variadas como amor, de repente solidão, de repente esperança, de repente tristeza, de repente paixão, de repente apenas curiosidade por algo simples que pode se tornar grandioso.
Deixo aqui a minha recomendação para aqueles que apreciam e incentivam a literatura nacional contemporânea.