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    Os Maias (Grandes obras de Eça de Queirós) -

    Eça de Queiroz

    Nova Fronteira
    2018
    688 páginas
    22h 56m
    ISBN-13: 9788520942208
    Português
    4.2
    15 avaliações
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    Favoritos4Desejados66Avaliaram15

    Neste livro, Eça de Queirós sintetizou e analisou suas ideias sobre a sociedade portuguesa, já tratadas em obras anteriores. O cenário é a cidade de Lisboa no final do século XIX, com sua burguesia decadente e acentuada transição sociocultural. A obra conta a história da família Maia reduzida a duas pessoas - o elegante, inteligente e civilizado Carlos da Maia e seu rico e austero avô, Afonso da Maia, que o criou e educou, depois da fuga de sua mãe com um aventureiro napolitano e do suicídio de seu pai.

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    Fábio França picture
    Fábio França19/05/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Segundo lugar

    Em se tratando de literatura portuguesa, não tenho nenhuma dúvida quanto a meus autores favoritos: Saramago e Eça. Embora de épocas e estilos distintos, ambos compartilham de uma capacidade de observação social afiadíssima, que é ainda melhorada por um senso de humor sui generis. Já li as principais obras desses dois gigantes e, no caso do Eça, minha obra preferida era "O primo Basílio". Agora, depois de finalmente ter a chance de ler "Os Maias", posso afirmar que "Basílio" quase perdeu o posto. Quase. Considerado quase que unanimemente como o auge da realização literária do autor, "Os Maias" é um desses clássicos monumentais (em extensão e diversidade de personagens) que narram grandes sagas familiares, aspecto em que me lembrou bastante "Guerra e paz". Como o romance de Tolstói, o de Eça apresenta um vasto panorama da aristocracia de um país e sua decadência moral em pleno século XIX, utilizando, para este fim, um grande número de personagens que vivenciam dramas que incluem desde romances arrebatadores até traições, escândalos e tragédias. No caso de "Os Maias", acompanhamos a trajetória turbulenta de três gerações dessa ilustre família: avô, filho e neto, sendo que as duas primeiras servem basicamente como introdução para a última, representada por Carlos Eduardo, que ocupa a maior parte do livro. Temas como excessos religiosos e preconceitos já aparecem nas primeiras gerações, mas é por meio das relações de Carlos que o autor explora a fundo o "highlife" de seu tempo. Seja através da caricatura feita à futilidade na adoção de modismos estrangeiros (vide Dâmaso), seja na promiscuidade mal-disfarçada da vida conjugal (como no caso de Raquel ou da condessa de Gouvarinho), ou ainda pela teimosia de um Romantismo que se recusa a aceitar o Realismo/Naturalismo (Alencar e seu ódio à "literatura latrinária"),o que não falta na obra são temas de discussão. Por outro lado, considero a vida amorosa de Carlos o ponto menos interessante do livro, e foi o que me impediu de elegê-lo como um favorito. Conhecendo a veia implacável do autor quando se trata de pôr ao chão ilusões românticas, eu esperava mais crueza na abordagem do tão polêmico incesto e mais moderação nos elementos novelescos (como a coincidência gigantesca que uniu e fez se apaixonarem totalmente ao acaso irmãos separados no berço e criados em países diferentes). Também esperei um final trágico que fechasse um ciclo e ligasse o destino de Carlos ao de seu pai, fazendo jus à "maldição dos Maias". O desfecho blasé para uma história de amor até então irrefreável, depois de tanta pieguice e complacência, ficou aquém das minhas expectativas.

    2 curtidas

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    4.2 / 15
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas53%
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    • 2 estrelas0%
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    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz