"Só quem conversa com os seus demônios pode receber uma visita de um anjo."
Resenha:
Um livro que capaz de surpreender o leitor, trazendo sorrisos e lágrimas.
ATENÇÃO: este livro trabalha assuntos pesados e possui gatilhos quanto a abusos físicos e psicológicos.
Caio é órfão. Depois da morte da mãe, o pai virou alcoolatra, adquiriu muitas dívidas e partiu de Remoinho em busca de emprego, deixando o menino por conta própria.
Quando um anjo cai na cidade, os moradores disputam quem é dono dele para tirar proveito, contudo assim que ele chama por Caio, começa a ser ignorado e maltratado.
"As crianças são assim, para elas tudo é simples, como deveria ser."
Apesar de uma vida dura e sem recursos, sendo odiado por toda população de Remoinho, assumindo responsabilidades de adultos, Caio ainda não cresceu e apresenta o melhor do mundo humano ao anjo, Esperança, em meio a livros e músicas.
"Ah, e você não deve julgar o anjo por não saber o que está fazendo. Se você ainda não descobriu, um dia vai: a verdade é que ninguém sabe realmente o que está fazendo."
É um livro extremamente reflexivo e, por mais que a capa possa ser fofa, trabalha temas pesados como uma família desestruturada e pessoas sem empatia alguma como as encontradas em Remoinho. É o tipo de história que te faz sorrir e chorar, variando a cada momento.
"Você pode ainda não saber, mas a culpa salvou muito mais vidas do que a piedade."
Mas anjos não surgem do nada, por isso acabamos conhecendo a triste história de Esperança, que um dia já foi uma criança normal, porém sofreu demais até conseguir sua eternidade.
"Não podemos exigir amor de pessoas que não estão aptas a dá-lo."
Nessa leitura, encontra-se ainda um narrador ativo, que conversa com o leitor de maneira descontraída, trazendo impressões dos personagens e acontecimentos, aproximando ainda mais a história do nosso cotidiano. Fala sobre crescer, sonhar, amor, felicidade, família, medo, impotência... É uma gama de assuntos trabalhados que valem a pena conferir, mas precisar ser forte para o que vai encontrar.
"O anjo o iludiu, ele teve que iludi-lo... Porque um ser humano precisa tanto de ilusões em sua vida quanto precisa de ar em seus pulmões."