Liberal, abolicionista, monarquista e defensor de uma reforma agrária. Tente definir Joaquim Nabuco nos moldes atuais de direita e esquerda e falhe miseravelmente. Homem defensor de ideias, não de partidos. Muitas vezes ideias nada populares, como foi o caso do abolicionismo, bandeira que levantou por grande parte da sua vida, até a conquista da abolição, em 1888.
Nabuco nasce em 1849, no Pernambuco, e vive seus primeiros anos aos cuidados de sua madrinha, Ana Rosa Falcão, dona de um engenho de açúcar chamado Massangana, onde Nabuco tem seu primeiro contato com a escravidão. A cena do escravo clamando a ele para que fosse comprado por sua madrinha, para assim escapar do senhor que lhe maltratava, deixa marcas profundas no futuro abolicionista. Essa experiência, e tantas outras vividas em Massangana, seriam levadas com ele por toda a sua vida.
Político, advogado, diplomata, escritor e jornalista. Homem culto, de oratória excelente, com grande estatura física, desses que parecem que nasceram para a vida pública. Também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, juntamente com Machado de Assis, Rui Barbosa, Graça Aranha e muitos outros grandes nomes da intelectualidade brasileira. Muitos são os feitos de Nabuco.
Não sei se isso é efeito do saudosismo de historiadores, mas ao ler sobre a vida das grandes figuras brasileiras do passado, tenho a impressão que a nossa geração é falta de grandes exemplos. Desejo que seja apenas saudosismo.
Sobre a escrita do livro, é cativante, do tipo que emociona e aproxima o leitor do biografado. Com esse, li apenas dois livros dessa série, mas ambos tem o mesmo perfil. Não se encontra aqui fatos históricos frios e distantes, mas um relato intimista e vivo. Uma boa pedida para a juventude e para o apreciador da História.