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    Crítica e Crise - Uma Contribuição à Patogênese do Mundo Burguês

    Reinhart Koselleck

    Contraponto
    1999
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8585910259
    Português Brasileiro
    4.6
    36 avaliações
    Leram92Lendo22Querem151Relendo1Abandonos3Resenhas1
    Favoritos6Desejados151Avaliaram36

    Chega finalmente à língua portuguesa, pela primeira vez, a obra clássica de Reinhart Koselleck, traduzida do original alemão. Em poucas páginas, de forma precisa e elegante, o autor oferece uma leitura profunda, erudita, original e surpreendente da formação das bases ideológicas do mundo contemporâneo. Fundado em fontes primárias - Barclay, D'Aubigné, Hobbes, Vattel, Locke, Lessing, Schiller, Voltaire, Diderot, Turgot, panfletos anônimos e textos da franco-maçonaria, entre outros - , Crítica e crise discute, explicitamente, transformações realizadas no século XVIII, mas é ao nosso tempo que se refere, implicitamente, do início ao fim. "A atual crise mundial", diz Koselleck no início do livro, "resulta da história européia. A história européia expandiu-se em história mundial e cumpriu-se nela, ao fazer com que o mundo inteiro ingressasse em um estado de crise permanente." A ascensão, agonia e queda dos Estados absolutistas e a dinâmica interna do Iluminismo servem de pano de fundo para que se compreenda o surgimento da filosofia da história, acontecimento decisivo da nossa época. Pois os tempos modernos começam quando a intelectualidade burguesa transforma a história em processo. "O alto tribunal da razão, entre cujos membros naturais a elite ascendente se inseria, envolveu em seu processo, em diferentes etapas, todas as esferas da vida. Mais cedo ou mais tarde, a teologia, a arte, a história, o direito, o Estado, a política e, finalmente, a própria razão são citados e chamados a prestar contas." O fermento da crítica altera o curso dos acontecimentos, quase sempre sem ter consciência disso. "A sociedade burguesa que se desenvolveu no século XVIII entendia-se como um mundo novo: reclamava intelectualmente o mundo inteiro e negava o mundo antigo. Cresceu a partir do espaço político europeu e, na medida em que se desligava dele, desenvolveu uma filosofia do progresso que correspondia a esse processo. O sujeito desta filosofia era a humanidade inteira." No século XVIII devem ser procurados, pois, os elementos fundantes da grande crise que, a partir de 1789, tem determinado os caminhos e descaminhos da história. Reinhart Koselleck mostra que, desde então, os conceitos de "crítica" e "crise" mantêm entre si uma conexão profunda, e que a separação entre moral e política, condição necessária à superação das guerras civis religiosas e à formação dos Estados absolutistas, não ficou impune.

    Resenhas (1)Ver mais
    Thalyta Figueiredo picture
    Thalyta Figueiredo01/08/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leitura acadêmica

    Livro basilar para aqueles que procuram entender a conformação da MODERNIDADE mas não em sentido econômico, mas entender qual era a forma de se pensar e como eram as relações de comunidade e indivíduo frente à dissolução do Absolutismo e como o capitalismo vai continuar dar seus passos de estabelecimento naquela sociedade que tinha uma tradição totalmente diferente. Indico à todos que estudam capitalismo.

    6 curtidas

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    4.6 / 36
    • 5 estrelas67%
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    Reinhart Koselleck profile picture

    Reinhart Koselleck

    Um dos mais importantes historiadores do século XX, destacando-se como um dos fundadores e o principal teórico da história dos conceitos (em alemão: Begriffsgeschichte). As suas investigações, ensaios e monografias cobrem um vasto campo temático. No geral, pode-se dizer que a obra de Koselleck gira em torno da história intelectual da Europa ocidental do século XVIII aos dias atuais. Também é notável o seu interesse pela teoria da história. Koselleck estudou história, filosofia, direito público e sociologia em Heidelberg e Bristol. Dentre os professores que mais influenciaram a sua formação acadêmica encontram-se nomes como os de Martin Heidegger, Carl Schmitt, Karl Löwith, Hans-Georg Gadamer, Werner Conze, Alfred Weber, Ernst Forsthoff e Viktor Freiherr von Weizsäcker. Tornou-se conhecido pela sua tese doutoral Crítica e crise. Um estudo acerca da patogênese do mundo burguês (1954).

    7 Livros
    20 Seguidores
    Saxony, Alemanha

    Reinhart Koselleck