Carlos Martins da Rocha fez de tudo um pouco no Botafogo. Foi presidente, diretor, supervisor, preparador físico e até "salvador da pátria". Não foram poucas as vezes em que foi convocado para tentar erguer o moral do time, trazer ânimo, emprestar sua mística. Na Seleção era a mesma coisa. Quando passamos vergonha ao sermos duramente derrotados pela Argentina, na primeira partida da Copa Roca, em pelo estádio de São Januário, Carlito foi convocado às pressas para reorganizar tudo e conseguir a taça, mesmo sendo o gol decisivo marcado numa penalidade máxima com o gol vazio. Essa mística do São Carlito surgiu no ano de 1948, quando como presidente, conseguiu levantar um campeonato que o clube não conquistava desde 1935. Agora em 2018, na comemoração dos 70 anos desta conquista, a Gryphus Editora lança a biografia de Carlito escrita por Rafael Casé onde mostra que as manias e superstições de Carlito Rocha rapidamente ganharam a simpatia dos torcedores. Usava o mesmo terno em todos os jogos, amarrava as cortinas da sede para "amarrar" as pernas dos adversários, rezava fervorosamente para todos os santos durante as partidas. Foi em 1948 que Carlito Rocha também adotou o cachorro Biriba como mascote. Até hoje os botafoguenses se identificam com ele, tanto que a torcida se autoproclama como a "cachorrada".
Somos Todos Carlito - Histórias, Crendices e Superstições de um Homem que Amava o Botafogo
Rafael Casé
Edições (1)
Ver mais“Uma das frases que Carlito costumava usar e que irritava seus opositores era: ‘Só há uma verdade. A que está do lado do Botafogo”. No dia 30 de novembro de 2024 nós, botafoguenses, vivemos uma catarse. Sequestrando as palavras tão bem usadas pelo narrador alvinegro Jorge Iggor, nós terminamos nossa travessia no deserto. Uma longa caminhada, de anseios, dores, alegrias efêmeras e medo do futuro. Ali no Mâs Monumental e em todo o mundo, com toda a mística que só nós carregamos, com todas as coincidências possíveis e um jogador a menos desde o começo da partida, conquistamos muito mais do que uma Libertadores da América. Ali morremos, vivemos, abraçamos, beijamos e amamos os nossos, presentes e ausentes. Todos nós, iluminados e protegidos por um panteão de divindades que só o Botafogo foi capaz de produzir. Dentre elas, com certeza, aquele que pode ser considerado a encarnação do que é ser botafoguense: Carlito Rocha. Jogador, técnico, dirigente, presidente e torcedor, Carlos Martins da Rocha sempre foi uma figura que me encantou. Filho temporão e terceira geração de botafoguenses, cresci com um pai que viu Garrincha, Nilton Santos e Didi no estádio e que contava as histórias de um avô que tinha dentre seus ídolos do futebol Carvalho Leite e Heleno de Freitas. A tradição e a mística botafoguense sempre me atraíram para além do campo. Sempre foi uma experiência espiritual, que só fui compreender efetivamente anos depois. Carlito Rocha parecia simbolizar o ser botafoguense, para além dos ídolos do campo, dos gols marcados e dos títulos. A alma supersticiosa, a fé de mãos dadas com o clube, o destino e seu sobrenatural. O presidente que fez do vira-lata Biriba uma mascote tão importante que foi completamente absorvido pela identidade da torcida e do clube. Um homem que chegou a jogar doente para não desfalcar seu time do coração, que lutava bravamente contra tudo e contra todos pelo Botafogo que sempre amou. Carlito viveu o Botafogo do início ao fim, como uma alma que encontra sua motivação maior, seu amor de outras vidas. Em Somos todos Carlito, o historiador Rafael Casé traz a história e a mística desse homem único, que fundamentou tanto do que somos hoje e colocou muito de si na alma do clube que tanto amou. Com um texto delicioso, que une a biografia com a história da sociedade carioca das primeiras décadas do século XX e, claro, com a história do futebol, Casé faz justiça a um nome que nunca deveria ser esquecido e firma na memória de quem não viu a imagem de um homem que encarnava o Botafogo em plenitude. Relatos, fotos e materiais oficiais ajudam a dar corpo a um livro que é necessário para qualquer botafoguense, mas não só, também para todos aqueles que enxergam o futebol como muito mais do que um jogo. Viva, Carlito Rocha! Viva o Botafogo de Futebol e Regatas!
Estatísticas
Avaliações
5 / 1- 5 estrelas100%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%

