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    Quando tudo se desmorona -

    Chinua Achebe

    Mercado de Letras
    2008
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9789728834210
    Português Brasileiro
    4.3
    11 avaliações
    Leram18Lendo5Querem150Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos3Desejados150Avaliaram11

    Esta é a história de Okonkwo, um guerreiro afamado em nove aldeias dos Ibo, na Nigéria, entre o final do século XIX e o início do século XX. Okonkwo vive no seio do clã de Umuofi a com as suas três mulheres e os seus filhos, empenhado em conquistar o título mais nobre do seu povo. A sua vida é marcada pelo medo de falhar, pelo orgulho que sente nas suas tradições e pela enorme ambição de demonstrar à aldeia que é um dos seus filhos mais ilustres. Chinua Achebe retrata neste romance um poderoso povo de guerreiros, leal aos seus costumes e aos seus mitos, mas com características sociais muito avançadas. Os eventos que aí se sucedem recordam a chegada dos primeiros missionários britânicos com o intuito de "pacificar" a região: os massacres descritos nestas páginas assemelham-se aos perpetrados pelos próprios ingleses naquela época. Este romance faz parte do currículo oficial em escolas africanas e em países anglo-saxónicos, por ser visto como o arquétipo da literatura moderna africana. Foi um dos primeiros romances africanos escrito em língua inglesa a ser aclamado mundialmente. Quando tudo se desmorona foi publicado em 1958, está traduzido para mais de 50 línguas e é considerado por muitos como o melhor romance alguma vez escrito. O escritor, sobre quem Nelson Mandela disse na sua companhia os muros da prisão caíam, foi distinguido com o Man Booker International Prize em 2007 pela sua carreira literária e por diversas vezes terá sido apontado como um candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

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    Patrícia Sanches picture
    Patrícia Sanches29/06/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A voz incômoda da não vitimização africana

    Com "Quando Tudo Se Desmorona", Chinua Achebe renova o romance em língua inglesa com realidades até então ausentes. Ele escreve sobre uma África de maneira a descrever as suas "entranhas" menos conhecidas, mas sem recorrer ao facilitismo de "desfile etnográfico", em oposição aos romances "estrangeiros", em que a realidade é vista de fora e não raras vezes de modo arrogante e etnocêntrico. Usa a forma canônica do romance - que é na origem uma arte europeia - e "enche-a" com a estética da tradição oral africana: Achebe sabe contar histórias. A linguagem é muito telúrica, o que empresta à narração uma vertente poética que prende o leitor mesmo nos momentos em que nada acontece. Achebe consegue mostrar-nos, em uma escrita elegante e luminosa, os efeitos de um "choque de civilizações", quer a nível coletivo quer a nível individual. Mas talvez o mais importante seja a ideia que atravessa a última parte do livro: a esperança no diálogo e na responsabilidade dos cidadãos como elementos facilitadores da adaptação à inevitável mudança. E sobretudo como factores de sobrevivência numa África que parece condenada à hipocrisia e à desgraça. Este livro consegue retratar um momento decisivo do drama colonial. Ele capta uma altura de mudança crucial com clareza, empatia e uma espetacular fluência e à vontade para a apreensão das complexidades da vida. É uma original síntese do romance psicológico, da "corrente de consciência" joyceana, quebrando a sequência pós-moderna tradicional — tornando assim obsoleto qualquer prescritivismo. Lê-lo é ao mesmo tempo um ato de prazer e de iluminação.

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    4.3 / 11
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas18%
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    • 1 estrelas0%
    Albert Chinualumgu Achebe profile picture

    Albert Chinualumgu Achebe

    Albert Chinualumogu Achebe nasceu em Ogidi no início da década de 1930, 30 anos antes da Nigéria se libertar do domínio colonial britânico. Fez seus estudos básicos em um colégio missionário e, embora educado na cultura ocidental, também foi criado na cultura tradicional Igbo, seu grupo étnico, no sudeste da Nigéria. Quando chegou a universidade, ele renegou o seu nome britânico, Albert, para assumir o seu nome Igbo: Chinualumogu (Chinua abreviado). Sua obra mais conhecida é <i>O mundo se despedaça</i> (em inglês: <i>Things Fall Apart</i>), publicada em 1958, quando ele tinha 28 anos, e que foi traduzida para mais de cinquenta línguas. O romance trata de considerações a respeito dos conflitos entre o governo colonial britânico e a cultura Igbo. Outros destaques da sua carreira literária foram <i>A paz dura pouco, A flecha de Deus</i> e <i>A educação de uma criança sob o protetorado britânico</i>. Ele foi um crítico da maneira como os autores estrangeiros retratavam a África, especialmente no livro <i>O Coração das trevas</i>, de Joseph Conrad. O escritor deixou sua pátria várias vezes para trabalhar como professor nos Estados Unidos e passou a morar definitivamente nesse país em 1990, após sofrer um acidente de carro que o deixou com problemas motores. Ainda assim, lecionava na Universidade de Brown. Mesmo sendo muito respeitado na Nigéria, tanto pela sua obra literária quanto também pelas suas tomadas de posição, Achebe criticava frequentemente os dirigentes nigerianos, pela corrupção e má administração do país, tendo recusado por duas vezes ser condecorado pelas autoridades locais. Em 2007, foi galardoado com o prestigioso Prémio Internacional Man Booker. Em 2012, ele lançou o livro <i>There was a Country: a Pessoal History of Biafra</i>, onde relembrou suas vivências na época do conflito em Biafra e o governo central da Nigéria, quando Achebe desempenhou funções diplomáticas e fez parte do Ministério de Informação de Biafra até o fim da guerra. Achebe morreu em Boston, aos 82 anos, em 21 de março de 2013.

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    Albert Chinualumgu Achebe