Folhas Caídas -

    Almeida Garret

    Francisco Alves
    1965
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Colectânea de poesias líricas de Almeida Garrett, é a última e a mais importante obra do autor. Foi publicada apenas um ano antes da sua morte, em 1853, e sob anonimato, talvez pelo receio do escândalo, dadas as relações amorosas com a Viscondessa da Luz, de que em grande parte este livro é a expressão literária. A obra teve grande sucesso devido sobretudo à atmosfera erotizante de algumas das suas composições e também à invulgar expressão de conflito psicológico e amoroso vivido pelo autor. Esta obra revela grandes aspectos inovadores, desde as imagens até à organização estrófica, passando pelo tom coloquial, quase confessional, de muitas das poesias - fazendo dela a melhor obra de poesia romântica portuguesa. Saliente-se ainda a inclusão, na segunda parte, de poesias de inspiração popular, bem como algumas traduções.

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    Jeovanna09/10/2022Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    no poema intitulado “Os cinco sentidos”, escrito por Garret, torna-se evidente a presença incessante de particularidades meramente românticas concernentes ao sentimentalismo exorbitante, ao subjetivismo, a interação do eu-lírico com a natureza, a idealização e o enaltecimento utópicos do feitio feminino e do amor. conforme propõe o significado do título designado, o sujeito poético expõe e pormenoriza a figura da mulher por meio das percepções sensoriais (da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato). os sentidos são segmentados, tipificados e explanados em cada estrofe paulatinamente, do mais abstrato ao mais concreto. é perceptível a assídua apresentação de recursos literários no poema, sobretudo da sinestesia. esta aplicabilidade alude à compreensão do subjetivo do sujeito poético, visto que os efeitos propiciados por todos os sentidos conduzem ao delírio total. a paixão dilacerante e exarcebada suscita um estado demasiado de sofrimento no eu-lírico. este sentimento torna-se ratificado na aparição de duas realidades absolutas na última estrofe que se convergem unicamente para salientar a profundidade e a veemência de sua paixão: o amor e a morte.

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