Neste livro, é possível mergulharmos um pouco no que São João Paulo II tem a nos dizer sobre a teologia do corpo, através dos olhos de Christopher West (um grande promotor e estudioso do assunto). O autor nos introduz aos ensinamentos do Santo através desta publicação, sendo, o que acredito, uma boa forma de começar a entender do assunto antes de partir propriamente para o livro escrito por São João Paulo II.
A Teologia do Corpo, conforme explica, West, busca nos mostrar o verdadeiro significado do que é ser humano, relacionando o grande mistério da encarnação de Cristo com os nossos corpos, isto é, entendemos que “olhando para nossos corpos podemos contemplar o invisível através daquilo que é visível”, olhamos para nossos corpos e contemplamos o sacrifício que Deus fez por nós, mesmo sendo tão grandioso, decidiu se fazer pequeno e humano para nos salvar e nos resgatar do pecado. Desta forma, o estudo do corpo – a teologia do corpo – vem nos ajudar a termos um novo olhar sobre nós mesmos e lembrarmos de algo fundamental, conforme esclarece Christopher: “o Cristianismo não demoniza o corpo; o Cristianismo diviniza o corpo!”.
O autor nos explica que tudo na Criação “é um sinal que se seguido, leva a Deus” e o corpo é o maior destes sinais. A partir disto, discorre sobre Adão e Eva, seres criados à imagem e semelhança de Deus que, com seus corpos, podiam experimentar e expressar o amor a Deus e ao próximo.
Outro ponto importante que o livro esclarece é a questão da forma como lidamos com os desejos sexuais, aqui o autor faz uma comparação com a abstinência de alimento e o excesso de ingestão de “fast food”. Alguns, quando têm desejos optam por reprimirem (abstinência) enquanto outros optam por satisfazê-los constantemente (fast food), praticando assim a luxúria. A Igreja vem nos dizer para não fazer nem uma coisa nem outra, é necessário pedir a Deus para que ajude-nos a redirecionar estas vontades, a ordená-las para que elas nos levem ao próprio Jesus e ao céu, para que elas nos ajudem a sermos salvos, como Deus quis e sacrificou o seu filho para que isso acontecesse. E assim, poderemos ressuscitar; Christopher nos explica que “quando alcançarmos nosso destino último [o céu], viveremos a consumação da união com todos aqueles que estiverem elevados à glória”.
Ao falar do celibato, West introduz o capítulo falando da comunhão que Deus quer ter com o homem, e é a isto que somos chamados a viver, isto é, esta comunhão de amor com nosso senhor e portanto, devemos sempre “orientar nossa visão para a eterna união” que só pode ser de fato, satisfeita, na eternidade junto com Deus. O celibato nada mais é que a vivência antecipada desta união com Cristo aqui na Terra, trata-se de renúncia às relações sexuais por amor a Deus e ao seu Reino, sendo desta forma “um sinal de que o corpo, cujo fim não é o túmulo, está destinado à glorificação” (TdC).
Além do celibato, o matrimônio também serve para nos sinalizar algo muito importante: a eterna união de Cristo com a Igreja, isto é, o casamento de Cristo com a Igreja.
No livro também é mostrado que São João Paulo II explica a respeito da submissão falada por São Paulo, é possível entender através das palavras do Papa, que a submissão da mulher ao marido está ligada a provar o amor, estando também relacionada à submissão da Igreja à Cristo, “que certamente consiste em provar Seu amor” (TdC). Entendemos que a missão do marido é amar as esposas, por isso, a esposas devem se submeter a esta missão, ou seja, deixarem-se ser amadas pelos seus maridos.
Por fim, o autor discorre um pouco mais sobre o matrimônio que além de ser sinal da união de Jesus com a Igreja (através da união dos esposos na consumação do sacramento e renovação dos votos), também possui o papel de gerar vidas estando abertos para tal, ou seja, sem deixar que ideias e atitudes mundanas mudem o resultado (os frutos) deste ato de amor.