Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas2
    • Leitores3
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Como ser ninguém na cidade grande -

    Luiz Roberto Guedes

    Penalux
    2018
    172 páginas
    5h 44m
    ISBN-13: 9788558333948
    Português Brasileiro
    3.8
    2 avaliações
    Leram1Lendo1Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados1Avaliaram2

    O crítico e escritor inglês David Lodge, em A arte da ficção, afirma que “a estrutura de uma narrativa é como a estrutura de vigas que sustenta os arranha-céus: você não a enxerga, mas é ela que determina o formato e as características do edifício”. Todas as histórias deste livro possuem essa estrutura: só o escritor a enxerga, já que mal olhamos para as “vidas pequenas na esquina”, no dia a dia da cidade frenética. Guedes é taxativo quanto a isso, desde a primeira narrativa: “Ninguém olha duas vezes para um mendigo, a não ser (...) um escritor deparando-se com uma história”.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (2)Ver mais
    Krishnamurti Góes dos Anjos picture
    Krishnamurti Góes dos Anjos30/09/2018Resenhou um livro
    0

    Como ser ninguém na cidade grande

    Em “Como ser ninguém na cidade grande”, surpreende-nos o ficcionista Luiz Roberto Guedes em exercício afirmativo de duas ou três vertentes que subsistem em vários dos dezoito contos reunidos. Um pendor ao psicologismo vazado em vertentes como a sexualidade humana e a preocupação com os desvalidos de toda sorte que pululam em nossos grandes centros urbanos, nomeadamente em São Paulo – capital. O autor aposta em uma frase de Octavio Paz, utilizada como epígrafe a um de seus contos: “A imaginação é o agente que move o ato erótico e o poético”. A maioria de seus textos é plasmada sobre um fundo de erotismo que pulsa e desatam-se em uma sucessão deliberada de imagens ou cenas eróticas. “Késia com K” narra a história de uma garota que ao ser posta para fora de casa pelo pai, porque perdeu a virgindade, resolve de mochila às costas, ser puta. Acontece que a mocinha de seus 18 anos acaba se envolvendo com um professor sessentão em um posto de gasolina de beira de estrada. E vai morar com o dito cujo. “Alô Alessandra” é flagrante das carências afetivas de um sujeito fora dos padrões de beleza vigente (é gordo, muito gordo), que tenta a todo custo conseguir uma simples companhia. “A garota do Café Barão”, é bela metáfora dos devaneios sexuais de outro sujeito, quarentão, bem casado, bem de vida e etc. e que sonha momentos libidinosos com a garçonete de um café. “Ritos favoritos de Eros”, constitui episódio de perigoso triângulo amoroso e “Noite com Carla, Conrado e Mila”, é a história tragicômica de um sujeito que na hora “H” da relação sexual, cai duro no chão e mortinho da silva. Mas não se pense por esse roteiro de situações, que o contista seja adepto do sexo, puro e aberrante. Suas histórias trazem sempre um elemento que nos faz refletir sobre essa tendência do tal do Homo sapiens em nossos dias, que parece não estar destinado a outra coisa, a não ser exercer a sexualidade tresloucada. O autor expõe o “lado diabólico” da sexualidade que pode ser despertada também nas mulheres ao compor a “Késia com K”, que uma vez salva de habitar nas ruas, acaba dando um belo golpe de confiança no professor que a socorreu e ajudou, e outro golpe da barriga no Eskatista (do inglês: skateboarders - pessoas que andam de skate), com quem foge pelo mundo a fora. “Alô Alessandra”, em verdade narra os desacertos de um sujeito que afinal só quer mesmo uma transa de ocasião sem maiores compromissos. “A garota do Café Barão”, como se disse, é o caso típico do sujeito que não pode ver um rabo de saia e pula qualquer cerca para se satisfazer. E “Noite com Carla, Conrado e Mila” é a típica busca do prazer como evasão ao desespero existencial na fugacidade do orgasmo, que vai mais além, com difusos desejos lésbicos. Toda a aspereza do erotismo explode nessas páginas. As lutas dos que se entregam, mas também dos que se negam, dos que contestam convenções, mas também dos que se reprimem. Todo o apelo dionisíaco. Com suas implícitas sugestões de liberdade, pureza e loucura. São estudos corretos de conduta, desenvolvidos com rigor e fina ironia. Mas, o teor documental que o escritor filtra através de seu testemunho não invalida, jamais, o criador, o ficcionista. O armador de cenas e o construtor consciente de desfechos e segundos-planos estão comprometidos com a procura de um sentido. Não se trata de um erotismo gratuito, antes traduz uma necessidade interior de triunfo contra o desespero causado por um mundo feito à revelia e insensível à fragilidade humana. O autor acompanha as personagens, entra-lhes na mais recôndita intimidade. Como um agudíssimo observador, devassa-lhes o mundo psicológico, esquadrinha-lhes os abismos inconscientes e subconscientes, conhece-lhes enfim, as mínimas palpitações. Disto resultaram contos memoráveis como “Encontros no escuro” e “Tango com a Vênus perneta”, este último verdadeiramente exemplar do que conosco faz a carência afetiva. Outra vertente que o escritor explora é justamente a de vidas que estão à beira do abismo, com os personagens em situações extremas, que se afundam no sentimento de inutilidade e vazio. São exemplos os contos “Pessoas inexistentes”, história de um mendigo-escritor ou escritor-mendigo, que dá no mesmo no Brasil, e que tem seus escritos roubados por um pseudo-escritor (também muito comum), e “Como ser ninguém na cidade grande”, narrativa sobre um velho autor desprezado pelo editor que por sua vez, se compraz em publicar o que o tal mercado editorial vai ditando nos seus modismos e superficialidades. Não se pode deixar de referir ainda dois outros contos. O distópico “Telemundo 2050”, que se passa em 16 de abril de 2050 e narra um sujeito assistindo televisão numa catastrófica sociedade do futuro. Para que o leitor possa inferir da força que esse texto possui, basta transcrever a epígrafe de Philip K. Dick, usada no conto: “A ferramenta básica para a manipulação da realidade é a manipulação das palavras”. E ainda e por fim, o conto “Hospital terminal”, do qual transcrevemos trecho que dispensa mais comentários: Leiam e vejam se lhes recorda algo: “A gritaria de protesto é tão histérica, que coloca em dúvida a saúde mental dessa gente. Tem quem diga que esses médicos são a ponta-de-lança de uma invasão do Brasil pelo exército de cuba. Parece que um tsunami de ignorância se abateu sobre este país. Meu diagnóstico é que o paciente Brasil esta sofrendo uma convulsão. O que passa por ‘realidade’ é um desvario induzido, editado pela mídia. Gente da minha geração, que foi torturada, massacrada ou exilada pela ditadura, nunca poderia imaginar que hoje veríamos nas ruas essa horda de analfabetos políticos clamando por ‘intervenção militar’. Ou que surgiria essa corja de deputados-pastores, essa praga medieval que ataca o estado laico a golpes de bíblia, pregando a homofobia, demonizando o candomblé, incitando explosões de ódio e intolerância”. Livro: “Como ser ninguém na cidade grande ”– Contos de Luiz Roberto Guedes – Editora Penalux – Guaratinguetá - SP. 2018, 172 p. ISBN 978-85-5833-394-8 Link para compra e pronto envio: https://www.editorapenalux.com.br/autor/MzQ2/Luiz_Roberto_Guedes

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 2
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas100%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Luiz Roberto Guedes profile picture

    Luiz Roberto Guedes

    Luiz Roberto Guedes, paulistano, nascido em setembro de 1955. Redator publicitário, jornalista, tradutor, letrista de música popular, operário de comunicações. Seu primeiro texto publicado foi É A GUERRA, MEU GENERAL, em Contos Jovens número 6, Editora Brasiliense, 1975. Sua poesia surgiu em MAUS MODOS DO VERBO, antologia de Osmar Reyex, LRG e Glauco Mattoso, edição FIM, 1976. Participou também de QUEDA DE BRAÇO, Antologia do Conto Marginal, com 51 contistas de todo o país, edição CAM, RJ, 1977. A partir dos anos 80, dedicou-se também à música. Como letrista (sob o nome de Paulo Flexa) , é parceiro de compositores e intérpretes como Luiz Guedes & Thomas Roth, César Rossini, Beto Guedes, Ronaldo Rayol, Beto Strada, Ivaldo Moreira e outros. Os citados Luiz Guedes e Beto Guedes, músicos mineiros, são primos do paulistano LRG. Nos anos 90, publicou obras infanto-juvenis como os dois álbuns de poemas para crianças PLANETA BICHO (Bicharada de Tinta / Bicharada de Letras), FTD, 1996, e LOBO, LOBÃO, LOBISOMEM, Saraiva, 1997. Obteve um Prêmio Escriba de Contos (Piracicaba, SP) em 1997, e o Prêmio de Poesia Lilia Pereira da Silva, em 1999, com o poemário CALENDÁRIO LUNÁTICO — Erotografia de Ana K, lançado em 2000, em português/italiano, pela Edições Ciência do Acidente. Em parceria com o poeta e ensaísta Claudio Daniel traduziu GEOMETRIA DA ÁGUA, do cubano José Kozer, parcialmente publicado na Coleção Memo da Fundação Memorial da América Latina, SP, 2000. Lançou COMO SER NINGUÉM NA CIDADE GRANDE e MISS TATTOO.

    24 Livros
    10 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Luiz Roberto Guedes