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    A mulher é uma degenerada - Edição fac-símile comentada

    Maria Lacerda de Moura

    Tenda de Livros
    2018
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 8568151108
    Português Brasileiro
    4.4
    19 avaliações
    Leram33Lendo1Querem75Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos6Desejados75Avaliaram19

    A Tenda de Livros lança a edição fac-símile comentada de A mulher é uma degenerada, da anarquista e pensadora brasileira Maria Lacerda de Moura (1887-1945), cuja última edição foi em 1932 e primeira em 1924, ainda é extremamente atual em vários aspectos, em especial no que tange à crítica ao capitalismo e à sociedade burguesa; e à defesa da maternidade livre e do amor livre. Uma das grandes novidades do pensamento de Maria Lacerda é a crítica à moral sexual de sua época e ao regime de verdades hegemônico com a imposição da identidade mulher, asséptica e higienizada,a afirmação é da professora titular da Unicamp Margareth Rago. “As bandeiras da luta da anarcofeminista Maria Lacerda de Moura só serão retomadas pelo movimento feminista na década de 1970, sem necessariamente alguma referência inicial a ela, já que, apenas nos anos de 1980, passamos a tomar contato com sua história e escritos, ainda hoje de difícil acesso”, explica Rago. A mulher é uma degenerada possui 320 páginas, que incluem o livro original em fac-símile, textos inéditos de pessoas convidadas, estudo gráfico e intervenção artística. A organização e edição de Fernanda Grigolin, capa e projeto gráfico de Laura Daviña e comentários de pessoas que estudam e possuem uma relação com a obra de Maria Lacerda, como: a já citada Margareth Rago, professora titular da Unicamp, que possui publicações sobre Maria Lacerda e outras mulheres anarquistas tanto do Brasil quanto do exterior; a pesquisadora especializada na história das mulheres anarquistas na Primeira República e sua relação com o anarcossindicalismo Samanta Colhado Mendes; a anarcofeminista e pesquisadora do Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri, Juliana Santos Alves de Vasconcelos, a historiadora e pesquisadora independente de sexualidade e anarcofeminista Carolina O. Ressurreição e as anarcofeministas Eloisa Torrão e Marina Mayumi. Além dos comentários, no livro está contida uma carta a Maria Lacerda de Moura escrita pela mulher do canto esquerdo do quadro, a narradora de uma pesquisa em arte que Fernanda Grigolin realiza. O conselho editorial é composto por Antonio Carlos Oliveira e Maria de Moraes, e a pesquisa de fontes primárias foi feita no Arquivo Edgard Leuenroth (AEL- IFCH/Unicamp), na Biblioteca Terra Livre, no Centro de Cultura Social e no Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri. A publicação é dedicada a Miriam Moreira Leite (em memória), responsável pelo trabalho primeiríssimo de pesquisa sobre a anarquista, e também a todas as pesquisadoras e coletivos e intelectuais que já se debruçaram na obra de Maria Lacerda de Moura. Vamos mais longe A edição foi pensada como lugar de acesso a trabalhos de arte e/ou coletivos, além da já citada carta da mulher do canto esquerdo do quadro, há a ação / convocatória Vamos mais longe/¡Vamos más lejos!. Um convite aberto para anarcofeministas de todas as gerações e consiste em responder o cartaz homônimo que contém a seguinte frase de Maria Lacerda de Moura: É muito medíocre o anseio de ser igual ao homem… De reivindicar seus direitos, dentro desta organização social de escravos e máquinas a serviço da mediocracia e do industrialismo. Vamos mais longe!

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    Laura Regina Santana picture
    Laura Regina Santana31/03/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Neste escrito de 1924, conhecemos a visão de uma das principais feministas e anarquistas brasileira.

    Felizmente, a editora Tenda dos livros lançou em seu site a nova edição do escrito de Maria Lacerda, com fac-símile do jeitinho que ela escreveu, além de vários textos de estudiosas atuais pontuando a importância deste livro. • E qual é sua importância? Numa época em que os grupos feministas mais famosos lutavam principalmente pelo direito ao voto, Maria aprofundava bastante a questão, lembrando a importância da educação para todos e livre de amarras religiosas e partidárias. Além disso, falou bastante sobre a capacidade jurídica e econômica das mulheres, rebatendo pseudocientistas da época com uma escrita científica de verdade. • Isto tudo há quase 100 anos! Quanto esta mulher foi à frente do seu tempo! Quanto aprendemos com ela, com sua visão de melhoras sociais que integram a todos nas responsabilidades e direitos! E quanto ainda precisamos percorrer! Mais indicações no Instagram @indicalaura

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    • 4 estrelas32%
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    • 2 estrelas0%
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    Maria Lacerda de Moura profile picture

    Maria Lacerda de Moura

    Maria Lacerda de Moura nasceu em maio de 1887 e morreu aos 57 anos em março de 1945. Foi uma pensadora anarquista brasileira e pacifista. Precursora do que se denomina, hoje em dia, como anarcofeminismo. Foi extremamente ativa em sua época e lida por intelectuais, militantes e escritores tanto do Brasil quanto da Espanha, Argentina e Chile. Foi editora/criadora da revista Renascença (seis edições, 1923), uma revista de arte e pensamento que contava com colaboração de anarquistas, feministas e comunistas brasileiros e estrangeiros. O primeiro número da revista, esgotado em dois dias, foi elogiado na imprensa anarquista da época (A Plebe e O Nosso Jornal) e nos meios intelectuais. Escreveu mais de vinte livros e muitos deles tiveram reedições revisadas pela autora tanto em português quanto em espanhol, algumas de suas publicações mais conhecidas são: Renovação (1919, 2015), A mulher e a maçonaria (1922), A fraternidade na escola (1922), A mulher é uma degenerada (1924, 1925, 1932, 2018), Han Ryner e o amor plural (1928, 1933), Religião do amor e da beleza (1926, 1929), Serviço Militar para mulheres: recuso-me e outros escritos (1931, 1999), Amai e… não vos multipliqueis (1932), Clero e fascismo: horda de embrutecedores (1933, 2018), Fascismo: filho dileto da igreja e do capital (1934, 2012, 2018). Era vegetariana e firme em seus posicionamentos anticapitalistas, anticlericais e é considerada uma das primeiras antifascistas das Américas; levando, como palestrante e escritora, palavras contrárias e contundentes ao retrocesso de seu tempo, “em tempos como o de hoje ninguém mais nasce de olhos fechados”, escreveu em A mulher é uma degenerada. Entre 1928 e 1937, viveu em uma comunidade agrícola em Guararema, interior de São Paulo, cuja formação era de anarquistas individualistas e desertores espanhóis, franceses e italianos da Primeira Guerra Mundial. A comunidade foi desfeita devido à repressão da ditadura do Estado Novo. Seu trabalho foi investigado por anarcofeministas, anarquistas e feministas brasileiras e estrangeiras, com destaque à pesquisa de Miriam Moreira Leite nos anos 1980, a primeira a focar exclusivamente na vida e na obra da anarquista. Seus livros raros hoje em dia estão, aos poucos, sendo reeditados por editoras independentes, contudo, não se pode esquecer que o ato de republicar Maria Lacerda é uma ação que coletivos anarquistas já realizavam desde os anos 1990.

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    Minas Gerais, Brasil

    Maria Lacerda de Moura