Não vou fazer uma resenha cobrindo todos os aspectos e pontos levantados no livro: seria extensa e minha competência é questionável. Destacarei uns 2 ou 3 questões / interesses.
McGrath apresenta este livro como "prolegômenos à formação de uma mente evangélica" (p. 21). Ele escreve: "A pré-condição essencial para um engajamento evangélico renovado com a vida intelectual é a confiança em sua coerência e credibilidade ['sua' aqui referindo-se ao evangelicalismo]" (p. 21).
Assim, McGrath expõe de início os 2 pontos essenciais do movimento evangélico na teologia: a compreensão que este defende sobre Jesus Cristo e sobre as Escrituras.
A seguir, vem os capítulos que apresentam um sumário da discussão entre evangelicalismo e pós-liberalismo, pós-modernismo e pluralismo religioso.
No capítulo dedicado ao pós-liberalismo, chamou-me a atenção o resgate feito por McGrath de que a linguagem teológica é sempre aproximativa, condicional, comparativa, e que, portanto, não pode dar conta do Deus da Bíblia. "(...) Afirmativas doutrinárias são para ser reconhecidas como percepções, não como descrições totais, apontando além de si em direção ao maior mistério do próprio Deus" (p. 117).
Na discussão a propósito de doutrina e narrativa bíblica (p. 94-98) o autor chega perto de dizer o que tenho dito com frequência: que a teologia, portanto, permanece um 'fazer-se'; é um processo nunca acabado. Como obra humana, a teologia - que só pode brotar da obra divina, no caso a Escritura - é imperfeita e, assim, sujeita a revisões e correções, acréscimos e esclarecimentos, num retorno constante à Bíblia.
No capítulo dedicado ao pós-modernismo, ao discutir espiritualidade (páginas 146-147), McGrath coloca por escrito minha experiência pessoal de encontrar maior riqueza na espiritualidade de tradição católica do que na protestante evangélica. Ele relaciona isso com a maior influência do Iluminismo do século XVIII sobre o Protestantismo na Alemanha, Inglaterra e América do Norte.
Como senões do livro - pelo menos, a edição brasileira - eu apontaria a ausência de um índice remissivo e a falta de indicações das traduções brasileiras (que existem, pois conheço algumas) de alguns dos livros mencionados nas notas.