O paraíso na outra esquina -

    Mario Vargas Llosa

    Dom Quixote
    2010
    423 páginas
    14h 6m
    ISBN-13: 9789722025317
    Português

    Onde se encontra o Paraíso? Na construção de uma sociedade igualitária ou no retorno ao mundo primitivo? Duas Vidas: a de Flora Tristán, que põe todos os seus esforços na luta pelos direitos de mulher e dos operários, e a de Paul Gauguin, o homem que descobre a sua paixão pela pintura e abandona uma existência burguesa para viajar para o Tahiti em busca de um mundo não contaminado pelas convenções. Duas concepções do sexo: a de Flora, que só vê nele um instrumento de domínio masculino, e a de Guaguin, que a considera uma força vital imprescindível posta ao serviço da sua criatividade. O que têm em comum estas duas vidas desligadas e opostas, à parte o vínculo familiar por ser Flora a avó materna de Gauguin? É isto que Mário Vargas Llosa põe em relevo neste romance: o mundo de utopias que foi o século XIX. Um vínculo entre duas personagens que optam por modelos de vida opostos que revelam um desejo comum: alcançar um Paraíso onde seja possível a felicidade para os seres humanos.

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    Caroline Dias Menezes30/01/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ao Encontro do Fascínio.

    Ouvi nos jornais o nome de Mario Vargas Llosa. Interessou-me por duas razões: a óbvia, o Nobel de Literatura e uma mais sentimental, essa história de ex-candidato à presidência que hoje vive em exílio. Uma relação tão intensa com a pátria só pode resultar em uma obra espetacular, pensei. Numa ida ao sebo, encontrei um livro do escritor peruano, que julguei pela capa e pelo autor, assumo, mas foi uma ótima escolha. Na primeira página de O Paraíso Na Outra Esquina já me senti absolutamente seduzida pela Flora Tristán de Llosa. Enquanto lia o livro, procurava artigos sobre sua existência real e me fascinava cada vez mais. O modo que o autor transita livremente entre a realidade e a ficção é incrível. O mais encantador sem dúvida é essa cortina que nos impede de saber o limite da verdade: até que ponto Flora e Gauguin são o que descreve Llosa? Veio em mim um súbito interesse pela causa de Flora e pela arte de Gauguin, e várias vezes me pegava pensando, “será?” para alguns fatos citados no romance e em outros, mais esclarecidamente fictícios, tinha a deliciosa sensação de imaginar que de fato aconteceram, como o encontro tempestuoso de Flora com Marx em uma gráfica. Isso sem falar na forma de Llosa manter um diálogo com suas personagens,tratando-as pelos apeidos, tão natural que torna a leitura mais que agradável, viciante. Mistura maestralmente vários estilos sem que haja confusão alguma e nos torna íntimos de Flora Tristán e Paul Gauguin. É um daqueles livros que te deixam uma herança e cuja última página provoca certa tristeza e a vontade de reler aparece logo depois de tê-lo terminado. Daqueles que a gente sai indicando pra todos os amigos e receia emprestar, com medo de perder de vista. Desde o título até o enredo, um livro fascinante.

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