Olhos azuis, cabelo preto -

    Marguerite Duras

    Relógio D'Água
    2014
    89 páginas
    2h 58m
    ISBN-13: 9789896414405
    Português

    É a história de um amor, o maior e mais terrível sobre que me foi dado escrever. Eu sei-o. Qualquer um pode ficar a sabê-lo por si. Trata-se de um amor que não é nomeado nos romances e que também não é nomeado por aqueles que o vivem. De um sentimento que de certo modo não tem ainda o seu vocabulário, os seus hábitos e rituais. Trata-se de um amor perdido. Perdido como perdição. Leiam o livro, leiam-no mesmo que de início o detestem. Já nada temos a perder, nem eu dos leitores, nem os leitores de mim. Leiam tudo. Leiam todas as distâncias que vos são indicadas, as dos corredores que rodeiam a história e a acalmam e nos concedem o tempo de os percorrer. Continuem a ler e de súbito terão atravessado a história, os seus risos, a sua agonia, os seus desertos. Sinceramente vossa. Duras

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    A. Brito06/04/2021Resenhou um livro
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    Olhos Azuis, Cabelo Preto - Marguerite Duras

    Olhos Azuis, Cabelo Preto é mais um interessante, breve, mas denso livro de Duras. Um livro ao estilo da autora, e porque não havia de ser? Vai directa ao assunto, ao que interessa, e o que interessa são os desentendimentos, procuras, enganos, partilhas, mentiras, desesperos, querer e não querer, e é disso que este texto fala, como que a despropósito, por marés que vão e vêem e constroem um relacionamento amoroso feito de angústia, posse, perda, dor, partilha de histórias, encontros e desencontros, comunicação ou ausência dessa comunicação. Vive do encantamento das palavras que se repetem orientadas para a sua raiz, o que as palavras não forem capazes de fazer florescer não existe. É uma narrativa que tem partes chocantes, ditas de uma forma tão simples que quase passa como se não fosse nada. Mas é. É um livro arrancado à escuridão e por isso traz agarrado a si muito de trevas, a escrita vira-se para dentro como se descesse a várias zonas de profundidade de um poço. É um texto sobre o texto, alguém está a encenar uma peça de teatro e as personagens são actores, mas essa encenação é montada com a carne viva de histórias tão reais como a realidade. Tudo, ou quase tudo, se passa num quarto de hotel onde os dois amantes, que não são bem amantes, se encontram e tentam formar um par; na verdade cada um atira as suas histórias contra o muro que é o outro. É um livro que se vai delineando, intensificando, dando voz a muita ausência. A ler.

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