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    Diferença e Repetição -

    Gilles Deleuze

    Paz & Terra
    2018
    420 páginas
    14h 0m
    ISBN-13: 9788577533886
    Português Brasileiro
    4.2
    11 avaliações
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    Concebido como tese de doutorado e publicado originalmente em 1968, Diferença e repetição mostra como o projeto filosófico de Gilles Deleuze elabora uma “geografia” que distingue o espaço de um pensamento da representação (ortodoxo, metafísico, moral, racional) do espaço de um pensamento da diferença (pluralista, ontológico, ético, trágico). Inspirado sobretudo em Nietzsche, Deleuze situa esta obra no espaço de um pensamento “sem imagem”, capaz de pensar uma diferença que não se subordine à identidade e uma repetição que não seja mecânica. E, para isso, elabora uma filosofia da diferença, em termos de uma doutrina transcendental das faculdades – que constitui o âmago da filosofia deleuziana. Este livro é também a realização mais rigorosa do procedimento pelo qual Deleuze relaciona filósofos, cientistas, escritores e artistas que expressam um estilo “intempestivo” de pensar; procedimento em que a repetição de um pensamento – com o objetivo de utilizá-lo como instrumento ou como operador – não busca sua identidade, mas a afirmação de sua diferença.

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    Alexandre Kovacs31/10/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Gilles Deleuze - Diferença e Repetição

    Editora Paz e Terra - 420 Páginas - Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado - Capa: Victor Burton - Lançamento: 24/09/2018. O francês Gilles Deleuze (1925-1995) é um dos pensadores mais importantes do século XX e este livro, publicado originalmente em 1968, como tese de doutorado, tornou-se uma obra indispensável para o estudo da filosofia contemporânea, o que justifica o seu relançamento agora pela Editora Paz e Terra em comemoração ao 50º aniversário da primeira edição. No entanto, não é uma obra de fácil entendimento para os leitores não familiarizados com textos da área de filosofia, notadamente de autores como: Espinosa, Kant, Hegel, Heidegger e Nietzsche, para citar apenas alguns. Acompanhar o raciocínio de Deleuze, portanto, exige alguma bagagem prévia nesta área, assim como atenção redobrada do leitor devido à subjetividade dos conceitos. Afinal, como o próprio autor declara no prólogo ao livro: "Como escrever senão sobre aquilo que não se sabe ou se sabe mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só escrevemos no limite do nosso saber, na extremidade que separa nosso saber e nossa ignorância e que transforma um no outro'". Segundo Deleuze, o pensamento moderno nasce da falência da representação, assim como da perda das identidades, ou seja, o mundo moderno é o dos simulacros e todas as identidades são apenas simuladas, produzidas como um "efeito" ótico por um jogo mais profundo, que é o da diferença e da repetição. Para desenvolvimento do seu pensamento filosófico, o autor utiliza a ciência, as artes e a literatura, fazendo dessa obra um desafio intelectual para qualquer leitor. "O problema do começo em filosofia sempre foi considerado, com razão, como muito delicado, pois começar significa eliminar todos os pressupostos. Enquanto na ciência nos encontramos diante de pressupostos objetivos, que podem ser eliminados por uma axiomática rigorosa, os pressupostos filosóficos são tanto subjetivos quanto objetivos. Chamam-se pressupostos objetivos os conceitos explicitamente supostos por um conceito dado. Por exemplo, Descartes, na segunda 'Meditação', não quer definir o homem como um animal racional, porque tal definição supõe explicitamente conhecidos os conceitos de racional e de animal: apresentando o 'Cogito' como uma definição, ele pretende, pois, conjurar todos os pressupostos objetivos que sobrecarregam os procedimentos que operam por gênero e diferença. Todavia, é evidente que ele não escapa de pressupostos de outra espécie, subjetivos ou implícitos, isto é, envolvidos num sentimento, em vez de o serem num conceito: supõe-se que cada um saiba, sem conceito, o que significa eu, pensar, ser. O eu puro do 'Eu' penso é, portanto, uma aparência de começo apenas porque remeteu todos os seus pressupostos ao eu empírico. E se Hegel já criticava Descartes por isso, não parece que ele próprio proceda de outro modo: o ser puro, por sua vez, só é um começo à força de remeter todos os seus pressupostos ao ser empírico, sensível e concreto. Tal atitude, que consiste em recusar todos os pressupostos objetivos, mas à condição de se darem pressupostos subjetivos (que, aliás, talvez sejam os mesmos sobre outra forma), é ainda a de Heidegger, ao invocar uma compreensão pré-ontológica do Ser. Pode-se tirar a conclusão de que não há verdadeiro começo em filosofia ou, antes, de que o verdadeiro começo filosófico, isto é, a Diferença, já é em si mesmo Repetição. (...)" - Capítulo 3 - A imagem do pensamento - O problema dos pressupostos em filosofia (Pág. 179) Gilles Deleuze graduou-se pela Universidade de Sorbonne (Paris), onde posteriormente lecionou. Também deu aulas nas universidades de Lyon e de Vincennes, na França. Foi influenciado por pensadores como Baruch Espinosa e Friedrich Nietzsche e criou conceitos fundamentais para a filosofia contemporânea. É autor de mais de trinta livros. A complexidade e importância de Diferença e Repetição extrapola em muito o nível de conhecimento do escritor deste texto que, portanto, não deve ser considerado uma resenha, mas apenas uma apresentação resumida do livro.

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    Gilles Deleuze profile picture

    Gilles Deleuze

    O trabalho de Deleuze se divide em dois grupos: por um lado, monografias interpretando filósofos modernos (Spinoza, Leibniz, Hume, Kant, Nietzsche, Bergson, Foucault) e por outro, interpretando obras de artistas (Proust, Kafka, Francis Bacon, este último o pintor moderno, não o filósofo renascentista); por outro lado, temas filosóficos ecléticos centrado na produção de conceitos como diferença, sentido, evento, rizoma, etc. O filósofo do Corpo-sem-Órgãos (figura estética de Antonin Artaud, retomada como conceito filosófico por Deleuze em parceria com Félix Guattari). Para ele, O ofício do filósofo é inventar conceitos. Assim como Nietzsche cria a personagem-conceito de Zaratustra, Deleuze afirma em L'abécédaire, entrevista dada a Claire Parnet, ter criado com Félix Guattari o conceito de ritornelo - refrão, forma de reterritorialização (povoamento), e desterritorializaçao. Uma filosofia da imanência, dos diagramas, dos acontecimentos. As principais influências filosóficas terão sido Nietzsche, Henri Bergson e Spinoza. Uma das grandes contribuições de Deleuze foi ter se utilizado do cinema para expor sua forma de pensamento, através dos conceitos de cinema-movimento e cinema-tempo. Deleuze foi um dos filósofos que teorizou as instâncias do atual e do virtual (já elaboradas por outros pensadores), construindo um olhar sobre o mundo a partir das possibilidades: "Um pouco de possível, senão sufoco"

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    Gilles Deleuze