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    Branca Bela -

    Geraldo França de Lima

    José Olympio
    1974
    326 páginas
    10h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    14 avaliações
    Leram23Lendo2Querem19Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados19Avaliaram14
    Resenhas (1)Ver mais
    Ladyce West picture
    Ladyce West18/11/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Raramente releio livros que marcaram minha juventude. Medo de ser desapontada, talvez. Já não sou a garota de dezesseis anos que se identificou com um personagem. A pessoa em formação tornou-se adulta e continuou lendo com a mesma intensidade da adolescência. Hoje, sou mais exigente. Nesta pandemia dei uma grande limpeza nas minhas estantes. Temos livros demais. Somos dois leitores aqui em casa. Dois professores, nas humanidades. Pessoas que leem promiscuamente da história à filosofia, da literatura aos ensaios científicos. Livros são nosso instrumento de trabalho, hoje, em parte, substituídos por textos eletrônicos, mesmo assim, ainda mantemos muito papel nas nossas paredes. Nessa reorganização voltei a ver um livro que me marcou na adolescência, que um dia, num passado recente, encontrei numa banca de livros novos e usados do Largo da Carioca no Rio de Janeiro. Comprei-o imediatamente, trouxe para casa e esqueci que ele existia. Eu precisava, parece, ter de volta um pedaço da minha adolescência, um troféu do passado. Surpreendi-me ao ver, que o livro ainda apresentava páginas sem corte. Era um usado, que nunca foi lido, para perda de quem dele se desfez. Reli-o há sete anos, e agora, precisava decidir se o mandava embora ou o mantinha em casa. Ficará comigo por mais um tempo. Branca Bela me foi apresentado por uma amiga. Como eu, ela adorava ler. Como eu, ela também vinha de uma família de professores e vivia numa casa rodeada por livros. Tínhamos muito em comum, mas nem sempre gostávamos dos mesmos livros. Lucia era mais atirada, mais curiosa sobre amores e sexo, enquanto eu preferia a escrita mais distante das emoções, autores mais filosóficos, talvez. Lembro-me do dia em que ela trouxe o exemplar. Levara para a escola e, no ônibus de volta para casa, me entregou o empréstimo. Saltava uns dois quilômetros antes de mim. Sentada à janela, abri o livro de Geraldo França de Lima e mergulhei nele de imediato, quase perdendo o caminho de casa. Anos mais tarde ainda me lembrava de algumas cenas do livro, de alguns personagens como Padre Saulo e de uma coruja que piava e era ouvida por Branca Bela. Reli em partes primeiro, depois o texto completo, e voltei a me encantar, me enamorar. É o romance de uma paixão duplamente impossível, que se desenrola no interior, certamente numa cidade mineira, como era o autor. Simples e fino. Retrata o amor entre uma jovem que, portadora de uma doença incurável, espera pacientemente pela resolução final, e de um padre. Não sou uma pessoa religiosa. Essa não era a pegada em minha família. Mas a delicadeza dos sentimentos retratados, fez com que o esparso discurso religioso, tivesse a dose perfeita para o esclarecimento das motivações dos personagens presos nesse amor impossível. Este Romeu e Julieta brasileiro é essencialmente poíesis. Não é à toa que Geraldo França de Lima foi membro da Academia Brasileira de Letras. É um grande mestre da arte literária. Seus livros que precedem Branca Bela foram Serras Azuis e Brejo Alegre. É claro, que os li, assim como outras de suas obras, posteriores. Essa geração de autores que publicados nas décadas de meados do século passado, dos anos 40 aos 60 inclusive precisa ser revisitada. Fica aqui o meu convite para que façamos isso juntos, de vez em quando.

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    Geraldo França de Lima

    Geraldo França de Lima, romancista e professor, nasceu em Araguari, MG, em 24 de abril de 1914 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de março de 2003. Era filho de Alfredo Simões de Lima e de dona Corina França de Lima. Com a mãe, aprendeu a ler e a escrever, terminando o curso primário, em 1926, na primeira turma que se matriculou no então recém-fundado Colégio Regina Pacis, dos padres holandeses. "Inocência", de Visconde de Taunay, recomendado por seu pai, foi o primeiro livro que leu (antes de completar 11 anos). Em 1929, seguiu para Barbacena, matriculando-se no internato do Ginásio Mineiro. Ali permaneceu por cinco anos, distinguindo-se no aprendizado de línguas e sendo um dos mais assíduos freqüentadores da biblioteca. O seu primeiro escrito, descrevendo a viagem, que demandou cinco dias, pela antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, de Uberaba a Belo Horizonte, foi publicado no jornal Araguari. Em 1932, os estudantes do último ano do ginásio, levados pela efervescência cultural de Barbacena, transformaram o grêmio literário no grupo literário Arcádia Ginasiana de Letras. Geraldo França de Lima foi eleito seu presidente e diretor do jornal O Kepi, seminário de idéias em Barbacena. Nesse jornal, apareceram suas primeiras poesias. Em Barbacena, na Quarta-feira santa de 1933, conheceu por acaso João Guimarães Rosa, capitão-médico do 9º BCM da Força Pública Mineira, e uma fraterna amizade logo os uniu. Em 1934, no Rio de Janeiro, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil e obteve o primeiro emprego, como revisor do jornal A Batalha, de Júlio Barata, estreando também como articulista. Em 1935, Bastos Tigre publica suas poesias na revista Fon-Fon. Longe, ainda, de se tornar escritor, Geraldo França de Lima continuava sendo inveterado freqüentador de bibliotecas e livrarias. Em 9 de dezembro de 1938 colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas. Depois de rápida passagem por Araguari, voltou para Barbacena, como professor do Ginásio Mineiro, nomeado pelo governador Benedito Valadares. Em Barbacena, nos dias incertos da Segunda Guerra Mundial, conheceu o escritor francês Georges Bernanos, de quem se tornou amigo e confidente. Ali, iniciou vagarosamente todo o plano da obra literária. Em 1951, acompanhando o Ministro da Justiça Bias Fortes, retornou definitivamente ao Rio de Janeiro, sendo nomeado advogado da Estrada de Ferro Central do Brasil, de onde passou para a Procuradoria Geral da República e daí para a Consultoria Geral da República. Reapareceu no Diário de Notícias, com o poema "Saudades sugeridas". Em 1960, Paulo Rónai abriu-lhe as colunas de Comentário, publicando o artigo "Com Bernanos no Brasil", de larga repercussão no exterior, considerado importante depoimento sobre o escritor francês. Em 1958, tendo prestado provas públicas, foi nomeado professor do Colégio Pedro II, e posteriormente, admitido como professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Letras da UFRJ. Foi assessor do Presidente Juscelino Kubitschek e do presidente do Conselho de Ministros, Tancredo Neves. O ano de 1961 foi o ano do ingresso de Geraldo França de Lima em definitivo na vida literária. Guimarães Rosa, almoçando em casa do amigo, encontrou na escrivaninha os originais do romance "Uma cidade na província". Levou-os consigo e, entusiasmado, leu-os no mesmo dia. Pela madrugada, ao terminar a leitura, telefonou para dona Lygia, esposa do romancista, e emocionado transmitiu-lhe sua impressão: "Ou muito me engano ou estou na frente de um grande romancista." Mudou o nome para "Serras azuis", providenciou a publicação, indo pessoalmente procurar o editor Gumercindo Rocha Dórea. Na tarde do lançamento, na Livraria Leonardo da Vinci, em 2 de junho de 1961, Guimarães Rosa pediu a palavra e em discurso relatou sua amizade com Geraldo França de Lima, terminando com a apologia do romance. O sucesso alcançado valeu ao livro o Prêmio Paula Brito Revelação Literária 1961, da Biblioteca Pública do Estado da Guanabara. Em 1969, a União Brasileira de Escritores, sob a presidência de Peregrino Júnior, conferia o Prêmio Fernando Chinaglia a "Jazigo dos vivos", considerado o melhor romance de 1968. Em 1972, recebeu a grande láurea do Conselho Estadual de Cultura do Estado da Guanabara, o Prêmio Paula Brito Ficção, destinado a conjunto de obra. Em 1991, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura Luísa Cláudio de Sousa, conferido pelo PEN Clube do Brasil ao romance Rio da vida. Em 1994, o Troféu Guimarães Rosa foi concedido a Folhas ao léu como conjunto de melhores contos. Em 1988 formou com o senador Afonso Arinos de Melo Franco, Otto Lara Resende e Osvaldo França Júnior Comissão contra a emancipação do Triângulo Mineiro. Pertenceu às seguintes instituições literárias e artísticas: Academia de Letras do Triângulo Mineiro, União Brasileira de Escritores, Academia Brasileira de Arte e PEN Clube do Brasil. Foi casado com d. Lygia Bias Fortes da Rocha Lagoa França de Lima, que faleceu em 2002. Sofrendo a perda da visão, o acadêmico ditava seus livros à companheira. Seu último romance, "O sino e o som" foi lançado em 2002.

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    Minas Gerais, Brasil

    Geraldo França de Lima