“O dinheiro não pode comprar amor, confiança ou segurança. Não pode parar uma tonelada de aço forjado quando ele já está balançando na minha direção. Não pode fazer a dor desaparecer.”
Intenso, sedutor e arrebatador. Bons adjetivos que qualificam a obra, mas não conseguem expressar o quão surreal foi essa experiência. Esse livro fará o leitor devorar página após página, se frustrar, torcer, se frustrar novamente, descobrir que nem tudo é preto no branco e ficar de boca aberta no final. Survival of the Richest é o primeiro livro de uma duologia, e o fim, com um reviravolta e um belo gancho para o próximo volume, provocará ansiedade até seu desfecho.
Acompanhamos o desenrolar de uma estória que começou há muito tempo atrás, onde uma menina no auge dos seus quinze anos conhece um rapaz ao qual ela tentou se mostrar indiferente, mas não conseguiu. O que começou com uma amizade discreta, crescente e foi se moldando com o passar do tempo, acabou terminando com ódio e muitas pontas soltas, muitas coisas não ditas. Agora, no auge de seus vinte e quatro anos, essa mulher descobrirá de uma forma um tanto dura que por mais que se sufoque, quando existe amor, ele permanece escondido, e pode ressurgir quando menos se espera. O problema? Um novo personagem nessa equação, que fará ela repensar seus sentimentos.
Harper passa os verões a bordo do iate de seu pai. Sendo filha de pais separados, e que por sinal se detestam, ela vive com a mãe e aproveita as férias para passar um tempo com seu pai. Apesar de ser filha de um homem riquíssimo, Harper não pode ser considerada privilegiada. Seu pai paga somente sua educação, sua mãe não recebeu nenhum dinheiro no divórcio, por isso Harper trabalha para pagar as contas e sustentar ela e sua mãe, que faz de vários casamentos sua missão para continuar levando a vida de luxos que está acostumada. Durante o período em que sua mãe não está em um relacionamento, a vida das duas é difícil, mas ela não pede ajuda a seu pai por temer que ele a separe de sua mãe. Harper é uma herdeira sem dinheiro.
Em um dado verão, Harper conhece a nova esposa de seu pai, que por sinal também casa como quem troca de roupa. Sabendo que essas mulheres nunca duram, ela nunca se incomodou se conhecê-las ou se aproximar. Mas dessa vez será diferente. Sua nova madrasta tem um filho, e por mais que ela tente, será impossível ignorar Christopher.
O tempo passa, os dois se tornam amigos, se comunicam por carta, até que aos dezoito anos, Harper leva um golpe do destino que provocará uma mudança drástica em sua vida. Com a morte de seu pai e sendo sua única herdeira, ela finalmente poderá dar uma vida digna a mãe, mas uma condição de seu pai destruirá o que ela mais preza, sua amizade e sentimentos por Christopher. Seu pai o nomeará tutor de sua herança, a qual ela só terá acesso aos vinte e cinco anos. E assim, Harper e Christopher nunca mais se entenderão.
Saltando no tempo, com Harper agora com vinte e quatro anos, ela procura Christopher para discutir o motivo dele não pagar a fatura de seu cartão de crédito. Mas ela encontra seu sócio no escritório, e com isso Sutton forma o outro vértice do triângulo. Dois homens diferentes. Um a trata como criança, o outro a enxerga como mulher. Um se nega a reconhecer que existe algo entre eles, o outro não tem vergonha de persegui-la. Um é fechado, teimoso e com um senso moral que às vezes é enervante. O outro é sedutor, persistente e aproveita a vida. Dois opostos, mas que despertarão sentimentos ambíguos e inquietantes.
Precisando de dinheiro para paga o tratamento de sua mãe, ela aceita trabalhar para eles, ajudando-os em um projeto. Essa proximidade a fará conhecer um outro lado de Sutton, e os dois embarcam em uma espécie de relacionamento, mas a sombra de Christopher sempre permanece entre eles.
O livro é ágil, dinâmico, bem escrito, com um bom enredo, sensual na medida certa, ao longo da leitura você acaba oscilando entre quem merece sua torcida, existem vários segredos não revelados, e o final é alucinante, não esperava a reviravolta.
Christopher é o bom moço, protetor, que coloca o que é certo acima de qualquer coisa, até de seus sentimentos. Sutton é mais ação do que razão, não descansa até conseguir um objetivo e não tem medo de mostrar o que sente. Harper é o peão entre esses dois homens, a pobre menina rica.
Adorei o final desse primeiro livro, nenhum dos dois personagens masculinos a meu ver merecem Harper. Espero que no próximo livro explique qual a razão por trás dos motivos de Christopher e se Sutton realmente é verdadeiro, ou tudo não passou de um jogo.
Qual dos dois será que ela escolherá?
Obs: Apesar de ser o primeiro livro de uma duologia, a autora escreveu uma espécie de prólogo, Trust Fund, que é essencial para o entendimento da obra, uma vez que Survival of the Richest começa quando Harper já tem vinte e quatro anos.