Por meio de ricos depoimentos e de reconstituições de casos, aliados ao diálogo com uma ampla bibliografia, "Ausências Incorporadas" analisa o surgimento e a inserção do movimento de familiares de mortos e desaparecidos políticos nos debates públicos sobre a ditadura instalada no Brasil entre 1964 e 1985, em cujo cerne estão a identificação da violência passada, a denúncia da injustiça, a nomeação de direitos e a demanda por reparação. Ao percorrer a trajetória desse movimento, os relatos das famílias deixam entrever o papel central que o sofrimento assume nesse processo, sendo a base para a construção de identidades e formas de sociabilidade. Revelam, ainda, que a expressão pública de testemunhos, demandas e denúncias passa a ser reconhecida como forma de coletivizar experiências e a constituir os mortos e desaparecidos como categoria, propiciando que seus familiares se vejam e sejam vistos como uma comunidade política e moral, que se volta para a busca de responsabilidades e direitos. Comunidade que, a partir do sofrimento, do conhecimento, da denúncia e de estratégias políticas de luta, atua no sentido de orientar o estabelecimento de políticas públicas mais democráticas por parte de um Estado em cujas instituições ainda persistem resquícios dos modos de operação usados na época da ditadura.
Ausências Incorporadas - Etnografia entre familiares de mortos e desaparecidos políticos no Brasil
Desirée de Lemos Azevedo
FAP-UNIFESP
2018
352 páginas
11h 44m
ISBN-10: 8555710383
Português Brasileiro
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