“Engraçado, até mesmo eu não acredito nas mentiras que conto a mim mesma sobre o homem ao meu lado.”
Concluindo a série Charity Case, finalmente chegou a vez de Hannah e Roarke, também conhecido como “raposa prateada”. Após os dois primeiros livros servirem para situar esses dois personagens e ir criando todo uma tensão em torno deles, agora temos de fato o desenvolvimento da estória dos dois, e se a expectativa era alta, o produto final não desaponta.
Dizer que Hannah odeia Roarke seria um eufemismo. Após defender seu ex-marido no processo de divórcio e conseguir um belo acordo financeiro para seu cliente as custas do patrimônio de Hannah, o advogado tornou-se seu desafeto e inimigo número um. Uma pena que apesar de seu bom senso odiá-lo, uma parte sua não consegue deixar de achá-lo atraente. E com tanto ódio entre eles, todas as vezes que ocorre um encontro entre os dois, eles são recheados de indiretas, sarcasmo e desentendimentos.
No fim do segundo livro, Hannah e as meninas precisam de um local para um evento, e com todos as possibilidades ocupadas, Roarke aparece decidido a ajudar, porém ele quer algo em troca: Hannah. Happy Hour começa exatamente desse ponto, com uma Hannah incrédula e Roarke mostrando que não é um ótimo advogado por acaso.
Após inúmeras tentativas em vão de conseguir um local, Hannah não tem outra escolha senão fazer um acordo com a pessoa a quem mais despreza. E ficará surpresa ao descobrir como irá retribuir o favor.
Roarke quer a todo custo que Hannah o perdoe, e para isso em troca de sua ajuda ela deve concordar em aceitar cinco pedidos da parte dele. Com isso, ele espera que ela deixe de enxergar o advogado no qual ela canalizou toda sua raiva pelo divórcio,e passe a ver o homem por detrás do profissional.
Se ao longo dos outros livro Roarke já me intrigava, aqui ele me ganhou. Sua maneira de tentar ganhar Hannah foi engenhosa e brilhante. Ele a desejava desde que a viu e não conseguindo se aproximar dela, ele decide trazê-la para seu mundo particular, para que ela pudesse conhecer a verdadeira face que ele não mostra para ninguém. Ele foi gentil, protetor, cuidadoso, vulnerável, charmoso e sedutor. Várias camadas em um homem tido como complexo mas que no fundo só está tentando se proteger. Roarke foi encantador em todos os sentidos.
Hannah também mostrou muito mais do que simplesmente a mulher que não acredita em relacionamentos. Sua relação com seus pais têm um impacto muito grande na formação da pessoa que ela se tornou. As críticas por parte de sua mãe e seu pai a moldando como o filho que não teve, fizeram com que ela nunca se permitisse sentir nada, o mundo exterior não pode saber como ela se sente ou o que ela pensa verdadeiramente, um sorriso no rosto e boa desenvoltura são o esperado de uma dama da sociedade. Seu ex marido também não foi um bom exemplo de amor e fidelidade. Foi totalmente compreensível que com tudo o que ela passou, ela tenha problemas de confiança, e o fato de Roarke, que aparentemente ela odiava, mexer tanto com ela a deixou sem rumo.
O relacionamento dos dois é construído aos poucos, conforme Roarke mostra para ela um novo lado seu, ela vai o enxergando com novos olhos até se apaixonar por ele. No fim, o homem totalmente improvável e errado era o certo para ela. O cara com fama de frio e calculista só é um bom profissional que cumpre o que manda a lei. Na vida real ele é uma boa pessoa, que tem problemas familiares, que vem de uma cidade pobre e agora que conseguiu uma boa posição tenta ajudar os outros e que muito novo teve seu coração partido. Roarke é antes de tudo humano. E com isso, mostra a Hannah que por mais assustador que seja, se permitir sentir mesmo que doa é melhor do que ficar na escuridão.
Amei os dois, amei o livro, foi um belo final para uma série espetacular.