Esta coletânea pretende constituir-se em um espaço de divulgação de ideias críticas ao neoliberalismo. A ortodoxia liberal radicalizada impõe-se hoje como a única expressão possível das práticas sociais e as políticas econômicas condizentes com a modernidade. É bem verdade que seu sucesso deve-se muito mais a apatia das elites, das universidades e dos meios de comunicação do que ao conteúdo e à propriedade de suas propostas. Na realidade, os novos liberais apenas ratificam acriticamente as imposições do mercado: para melhor impulsionar suas potencialidades, o funcionamento do mercado tem sido libertado de todos os "entraves", de todo e qualquer mecanismo regulador, de tudo que possa impedir sua livre expressão. "O mundo mudou muito, mas não pode mudar nossas consciências, nossos princípios, nossos valores éticos. Não podemos acreditar que o futuro pertença ao cinismo ou a hipocrisia. Não podemos saber exatamente como será esse futuro. Talvez muito pouco possa dizer-se sobre ele, mas uma coisa é certa: O amanhã pertence a história." (Reinaldo A. Carcanholo)
A quem pertence o amanhã? - Ensaios sobre o neoliberalismo
Manoel Luiz Malaguti, Marcelo D. Carcanholo, Reinaldo A. Carcanholo
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Parte I: Com valores desgastados, coerências fragilizadas, as sociedades contemporâneas não têm mais projetos globais: o crescimento econômico tornou-se sua principal finalidade. Nos países ricos, apresentado por longo tempo como meio de aumentar o bem-estar, o crescimento é, hoje, considerado o principal remédio para o desemprego e a pobreza alguns preferem não refletir sobre as razões pelas quais, depois de um ou dois séculos de crescimento, os países capitalistas ainda sofrem desses males. * O futuro terá retomado uma perspectiva positiva? Silêncio, entretanto, sobre o futuro do trabalho e do tempo livre nas sociedades ricas; silêncio sobre a evolução demográfica e os fulgurantes fenômenos de urbanização (incluídos em anexos estatísticos nos relatórios); silêncio sobre as relações entre emprego e modo de desenvolvimento; silêncio sobre os meios políticos para domar os dragões especulativos mundiais, que não são estranhos à escalada do desemprego. Por outro lado, podemos nos alegrar com a informação de que vários milhares de assalariados da Microsoft são milionários e de que dois dentre eles são bilionários. Para eles, ao menos, a dura realidade pertence em princípio, ao passado. * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/11/a-quem-pertence-o-amanha-ensaios-sobre.html XXXXXXXXXXXXXX Parte II: Não existe projeto nacional viável em face do neoliberalismo caso não se reformule um projeto alternativo para o espaço público. Pode-se até dizer que não existe utopia social possível dentro dos limites do que conhecemos no mundo moderno se ela for concebida à margem do espaço público. A existência de tal suposição e sua vitalidade, como condição de toda sociedade moderna humanamente civilizada, depende em boa medida de que o espaço público seja altamente valorizado pela comunidade em seu conteúdo ético, político, democrático e funcional, inclusive no campo econômico e, portanto, de que as forças políticas fomentem e façam sua essa valorização até o ponto de incluí-la em seu itinerário programático. * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/11/a-quem-pertence-o-amanha-ensaios-sobre_8.html XXXXXXXXXXXXXX Parte III: As pessoas manipularam a tal ponto o conceito de liberdade, que ele acabou por se reduzir ao direito dos mais fortes e mais ricos de tirarem dos mais fracos e mais pobres o que estes ainda têm. As tentativas de modificar isso são encaradas como intromissões lamentáveis no campo do próprio individualismo, que, pela lógica dessa liberdade, dissolveu-se num vazio administrativo. * O neoliberalismo periférico se faz hipócrita. Não se atreve a afirmar categoricamente que a ausência de valores éticos é o que explica a miséria e o atraso, mas a sugere. Não se atreve a defender em todos os seus aspectos o neoliberalismo cínico, mas fica nas suas proximidades. O neoliberalismo da periferia oscila entre o discurso da aparência e a prática teórica da hipocrisia. O discurso neoliberal envergonhado é aquele que nega sua pretensão de impulsionar políticas recessivas, de arrocho salarial, de privilégios ainda maiores aos setores poderosos, de estímulo à lógica selvagem do mercado; jamais declara seu desejo de transladar as leis da seleção natural para o âmbito social da economia. Mistifica seu discurso com palavras mais aceitáveis para aqueles que serão os prejudicados. * Mais do blog Lista de Livros em:
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