Eu esperava mais desse livro. Gostei da delicadeza do João Felício dos Santos tratar das características e sonhos do Mestre Aleijadinho, mas senti falta da criatividade para esmiuçar a vida deste grande artista mineiro, já que não houve muitos registros históricos.
Isso porque ao ler a biografia de Antônio Francisco Lisboa, fiquei me questionando por exemplo como teria sido o encontro dos pais deles, um português e uma escrava.
Teria ele, se inspirado nas estampas das gravuras germânicas dos irmãos Klauber ao estilo de Rococó?
Que aventuras teria passado pelas terras de Minas Gerais? Cidades lindas cheias de histórias são campos férteis para a imaginação...
E aquela maldita doença que o deformou e atrapalhou a exercer seu ofício? Que seria? Como teria ele feito para continuar a nos presentear com sua arte? Quem teria amarrado o formão em sua mão?
Por que ficou só no sonho a produção dos 12 Profetas de Congonhas do Campo. Esperava uma explicação para cada talhe... afinal o mestre orquestrou esta obra com objetivos muito claros.
E o que dizer das 64 figuras para as capelas dos Passos da Paixão? Sempre que as visito, me paraliso nos olhos amendoados e fico pensando em Aleijadinho preocupado com a manutenção do seu estilo: ângulos retos para os pés, agudos para as dobras dos tecidos; dedos quadrados e bigodes saindo das narinas... De onde veio o cedro rosa? Como o transportou?
E o anjo tocheiro (hoje no Museu da Inconfidência)? Em que circunstância teria o criado?
E as peças atribuídas a ele por especialistas, como a Santana Mestra de Sabará? Seriam dele mesmo? Quem eram seus aprendizes?
Aleijadinho ainda inspira os santeiros de hoje e nos emociona com a alta carga de espiritualidade de suas obras. Imaginei que seria também para esse autor.