A presidente Lindsay Doran, da Mirage Productions do diretor Sydney Pollack, levou dez anos para encontrar a pessoa certa para adaptar para o cinema o romance Razão e sensibilidade, de Jane Austen: a atriz Emma Thompson, formada em Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge, assinaria o seu primeiro roteiro. Levou cinco anos para alcançar o resultado perfeito levado às telas pelo diretor Ang Lee (Banquete de casamento) com sete indicações para o Oscar de 1996. No meio do caminho, conquistou notoriedade internacional por suas interpretações em Retorno a Howards End (Oscar de melhor atriz em 1992), Muito barulho por nada e Em nome do pai. O resultado de tão longa elaboração é uma trama densa, de conflitos emocionais explosivos, porém em alta velocidade, o que acelera os batimentos cardíacos do leitor. A história apresenta uma rede intrincada de amores violentos, por vezes transbordantes, por outras contidos até a loucura. Os afetos são fortes e infinitos, com personagens que capturam o leitor de um texto enxuto e uma sucessão de climas de suspense. Todos os dramas individuais de Razão e sensibilidade, no entanto, por mais cruéis que pareçam, são extremamente românticos. O roteiro navega lá e cá entre razão, nome generoso para o culto vulgar do dinheiro e do poder, e sensibilidade, evidentemente a área das grandes paixões. Mas este mar é revolto, de contagiante turbulência. Logo depois desta bem-sucedida viagem pelo mundo dos amores sem fim, o leitor cai numa agradável real: o diário da mesma Emma Thompson, escrito agora com as emoções da atriz protagonista, durante os 65 dias de filmagens, de abril a julho de 1995. É um curioso prazer descobrir em detalhes que aquele belo filme, de imagens épicas, exigiu de todos muita coragem para enfrentar um período de enorme dureza. Havia o esgotamento físico, emocional e espiritual. Havia o relacionamento esquisito e, ao mesmo tempo, muito interessante de Emma com o diretor Ang Lee. Basta citar que em seu primeiro bilhete de crítica ele qualificou o trabalho da atriz de "muito chato" e a advertiu: "Não pareça tão velha". Ninguém poderia imaginar que Emma ouvisse tamanho desaforo e ainda "entendesse" perfeitamente o recado profissional. Ela chegou até a acreditar que existia de fato diferenças culturais entre Ocidente e Oriente. É divertido comparar o lirismo do sonho, ou seja o roteiro do filme, com uma realidade trabalhosíssima, a batalha das filmagens.
Razao e Sensibilidade - Roteiro e Diário
Emma Thompson
Rocco
1998
304 páginas
10h 8m
ISBN-13: 9788532506443
Português Brasileiro
Edições (1)
Ver maisEstatísticas
Avaliações
4.7 / 3- 5 estrelas67%
- 4 estrelas33%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%
