Volume da bestseller Coleção Melhores Contos, uma seleção de obras-primas de autores de diversas nacionalidades e com temáticas das mais variadas, mas que tem em comum uma enorme e talvez a mais importante qualidade literária: a de dar prazer ao leitor. Neste volume estão os Melhores Contos Estrangeiros, uma seleção de contos memoráveis escritos por grandes mestres contistas da literatura internacional como: James Joyce, Julio Cortázar, Borges, Horácio Quiroga, Edgar Allan Poe, Dostoievski, Hemingway, entre outros . Juntamente com cada um dos contos, um resumo biográfico de seu autor.
Os Melhores Contos Estrangeiros -
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A coletânea traz 21 contos de diversos autores estrangeiros conhecidos, alguns deles bastante repetidos nesse tipo de publicação. Justamente porque são os melhores de cada um, como acontece com Cortazar, London, Maupassant, Hemingway, segundo críticos e especialistas em narrativas curtas. Mesmo não sendo espetacular, esta coletânea até que é bastante variada: eu nunca havia lido Horacio Quiroga antes, nem H. P. Lovecraft ou Arthur C. Clarke. Todo leitor têm suas preferências, então acredito que nenhuma lista de contos universais vá agradar todo mundo por igual. Especialmente se não trouxer nenhuma história de Anton Tchekhov, contista dos mais reconhecidos. Em lugar dele temos um de Dostoievski, muito mais autor de romances extensos e novelas do que propriamente de contos. Também faltou uma boa história curta de Virginia Wolf. Ou de Katherine Mansfield. Mas vamos aos escolhidos, pela ordem em que aparecem no sumário: À deriva - Horacio Quiroga (1878-1937): os contos desse autor uruguaio geralmente envolvem acontecimentos fantásticos ou macabros, muitos deles passados na selva, caso deste. Quem está à deriva aqui, dentro de uma canoa no rio Paraná, entre a vida e a morte, é um homem que levou uma picada de uma serpente e desesperadamente busca ajuda para não morrer. Avaliação: muito bom. Arábia - James Joyce (1882-1941): rapaz marca encontro noturno com garota num grande bazar chamado Arábia, onde se pode comer, beber, fazer compras, etc. Precisa pegar dinheiro para o ingresso com o tio, mas este demora muito para chegar em casa, o que cria uma atmosfera de expectativa e tensão, vivida pelo personagem e sentida pelo leitor. Avaliação: ótimo. Casa tomada - Julio Cortazar (1914-1980): aos poucos forças estranhas vão invadindo uma residência de muitos cômodos habitada apenas pelo narrador e sua irmã. Estranhamente (ou muito de acordo com Cortázar) os irmãos não esboçam qualquer reação frente aos acontecimentos e a cada dia vão ficando com menos espaço para viver. Até que um dia... Avaliação: muito bom. Continuidade dos parques - Julio Cortazar: ficção invade a realidade, num radical processo de metalinguagem, recurso bastante utilizado pelo escritor. Homem lê os capítulos finais de um romance numa confortável poltrona de sua casa, cercada por um parque, o mesmo onde os amantes da história que ele lê se encontram. Avaliação: muito bom. O travesseiro de penas - Horácio Quiroga: jovem mulher adoece misteriosamente: começa a ficar fraca e a emagrecer. Marido e médico tentam de tudo para impedir que seu estado piore. Ela mira continuamente um tapete aos pés da cama do casal. Mesmo durante o dia as luzes do quarto permanecem acesas. Que mistério reside ali? Avaliação: bom. Um artista do trapézio - Franz Kafka (1883-1924): artista circense torna-se tão exímio em sua arte que passa a viver dependurado num trapézio. Quando o circo se muda é necessário um cuidado todo especial para seu deslocamento etc. Mais tarde exige do dono do circo outro trapézio para continuar ali: aos poucos se torna um escravo de sua própria arte. Avaliação: bom. O coração delator - Edgar Allan Poe (1809-1849): história de mau-olhado em que o narrador conta como matou um velho que tinha um olho azul coberto por uma membrana branca que o perturbava. Esquartejou o corpo e encerrou as partes debaixo do assoalho do quarto do morto. Um dia policiais aparecem na casa para uma investigação e então... Avaliação: bom. O aniversário da infanta - Oscar Wilde (1854-1900): durante o período inquisitorial princesinha espanhola comemora aniversário com seus amiguinhos nobres numa festa luxuosa. Diverte-os um anãozinho muito feio, que a certa altura pensa que a princesinha o ama, como ele passou a amá-la ao vê-la pela primeira vez e dela ganhar uma rosa branca. Mas esta não é exatamente uma história para crianças... Avaliação: bom. O gigante egoísta - Oscar Wilde: gigante tem um belo jardim mas não permite que crianças brinquem nele. Sem elas, desaparecem também as cores, as flores, os pássaros, a primavera enfim. Esses elementos somente retornarão se o gigante egoísta se tornar generoso e solidário. História que Wilde escreveu para os filhos mas que adultos também podem apreciar por sua mensagem final. Avaliação: bom. O imortal - Jorge Luis Borges (1899-1986): conto tem como temas a imortalidade e a literatura. Como em qualquer história de Borges o leitor é tirado de sua zona de conforto e tem de trilhar por caminhos labirínticos. Muito cérebro, muita erudição e pouca ou nenhuma emoção: leio, mas não sou fã do imortal gênio argentino. O presente dos magos - O. Henry (nome real: William Sydney Porter; 1862-1910): jovem casal de pouquíssimas posses - ele tem um relógio de estimação, ela uma bela cabeleira -, preocupado com a lembrança de natal para cada um, já que a situação financeira deles é precária. Na ânsia de se presentearem com gosto cometem um dos maiores equívocos de suas vidas. Avaliação: ótimo. Um som de trovão - Ray Bradbury (1920-2012): agência de safáris transporta para a pré-história, em máquina do tempo, caçadores que matam dinossauros. Tudo é planejado, controlado por regras, protocolos, procedimentos etc. e ninguém ou nada pode interferir para mudar qualquer coisa. Mas um dos caçadores, amedrontado ao confrontar-se com o dinossauro marcado para morrer, pode por tudo a perder... Avaliação: bom. Fazer uma fogueira - Jack London (1876-1916): talvez o melhor conto de London e um dos melhores de todos os tempos, quase sempre presente em coletâneas de histórias curtas. Com um único personagem mais um frio cortante, um cão e o fogo, necessário para não morrer congelado, temos aqui uma pequena obra-prima de suspense que provoca intensa angústia no leitor. Avaliação: ótimo. Os assassinos - Ernest Hemingway (1899-1961): dois assassinos entram numa lanchonete e aguardam um sujeito que sempre aparece para jantar: irão matá-lo ali mesmo. Amordaçam um cliente e o cozinheiro e mantêm o atendente sob vigilância; ele deverá ajudá-los a executar o crime. Tudo pronto, só que o sujeito não aparece. O que acontecerá em seguida? História narrada quase que apenas através de ótimos diálogos, especialidade de Hemingway. Avaliação: muito bom. Nenhum caminho para o paraíso - Charles Bukowski (1920-1994): bêbados, prostitutas e mendigos costumam ser os personagens desse autor. Homem e mulher se conhecem num bar e depois seguem para a casa dela onde observam pequenas criaturas transando: isso desperta a tara sexual neles também. Muito palavrão e sexo explícito, quer dizer, escrito. Avaliação: bom. A carruagem - Nikolai Gogol (1809-1852): do mesmo autor do célebre Almas Mortas, este conto tem um apelo humorístico (pelo menos no seu final), ao envolver nobres e militares russos na venda de uma caleche por um proprietário rural, negócio combinado anteriormente no meio de uma grande bebedeira. Avaliação: bom. Dagon - H. P. Lovecraft (1890-1937): nessa história que envolve elementos fantásticos, um sobrevivente da Primeira Guerra Mundial, que escapou dos alemães e agora consome morfina e pensa em suicídio, conta como chegou a esse estágio após uma inesquecível experiência por que passou durante a fuga em alto mar. Avaliação: bom. A herança - Fiodor Dostoievski (1821-1881): sobrinho recebe herança. De posse dos bens do tio passa a primeira noite no castelo que herdou. Cansado, logo adormece e sonha. Mas vive um longo pesadelo, em que é visitado por fantasmas que se dizem proprietários de tudo ali. O conto pode ser entendido como uma reflexão sobre o acúmulo de bens como único objetivo de vida. Avaliação: bom. O colar de diamantes - Guy de Maupassant (1850-1893): um dos contos mais populares do francês. Jovem casal de poucas posses é convidado para importante baile. A moça toma colar emprestado de amiga pois não tinha nenhuma joia. Depois da noitada magnífica descobre que o colar desapareceu, não sabe como. Agora o casal vai ter de se sacrificar para cobrir o prejuízo. E como! Avaliação: muito bom. O afogado mais bonito do mundo - Gabriel García Márquez (1927-2014): o cadáver de um afogado vai dar numa praia do Caribe habitada por gente simples. Todos ficam fascinados pela beleza geral do morto, especialmente as mulheres, que preparam seu funeral (o corpo será devolvido às águas, lançado ao mar numa encosta). Dão o nome de Estevão ao estranho e em pensamento ele é acolhido como se fizesse parte da família de cada um. O conto tem certo mistério e beleza, lembra o realismo mágico de vários livros do colombiano. Avaliação: ótimo. Os nove bilhões de nomes de Deus - Arthur C. Clarke (1917-2008): monge tibetano viaja a Nova York para contratar os serviços de uma empresa de tecnologia. Quer um equipamento que possa listar todos os nomes de Deus. Dois técnicos acompanharão o projeto no mosteiro. Lá, eles desconfiam que alguma coisa estranha poderá ocorrer quando a tarefa terminar. De fato, ocorre. Avaliação: bom. Lido entre 06 e 14/10/2018.
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