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    O Cortiço - Coleção Clássicos da Literatura Brasileira

    Aluísio Azevedo

    Harbra
    2009
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788529403649
    Português Brasileiro
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    Ingrid Vitória 22/02/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Realismo e naturalismo

    Situada no movimento literário do realismo, a obra de Aluísio Azevedo O Cortiço escancara a condição humana antes mascarada pelo sentimentalismo romântico. Temas como desonestidade, avareza, exclusão social, inveja, escravismo, violência, prostituição, discriminação sexual e adultério marcam a trama com uma linguagem forte e trabalhada, focando em aspectos econômicos, políticos e sociais da época. Há também uma análise psicológica de todas as personagens, apesar da preferência pelo coletivo. Pode ser um livro um pouco difícil de ler pelo caráter descritivo e pesado que traz, mas como um clássico da literatura brasileira, vale a leitura. Citações favoritas E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco. (Pág. 19) Por isso é que se vê tanta porcaria por esse mundo de Cristo! disse a Augusta. Filha minha só se casará com quem ela bem quiser; que isto de casamentos empurrados à força acabam sempre desgraçando tanto a mulher como o homem! Meu marido é pobre e é de cor, mas eu sou feliz, porque casei por meu gosto! Ora! Mais vale um gosto que quatro vinténs! (Pág. 64) Um empenho coletivo os agitava agora, a todos, numa solidariedade briosa, como se ficassem desonrados para sempre se a polícia entrasse ali pela primeira vez. Enquanto se tratava de uma simples luta entre dois rivais, estava direito! “Jogassem lá as cristas, que o mais homem ficaria com a mulher!” mas agora tratava-se de defender a estalagem, a comuna, onde cada um tinha a zelar por alguém ou alguma coisa querida. (Pág. 110) Arriscar espontaneamente a vida por alguém é aceitar um compromisso de ternura, em que empenhamos alma e coração; a mulher por quem fazemos tamanho sacrifício, seja ela quem for assume de um só voo em nossa fantasia as proporções de um ideal. (Pág. 151) Um só impulso os impelia a todos; já não havia ali brasileiros e portugueses, havia um só partido que ia ser atacado pelo partido contrário; os que se batiam ainda há pouco emprestavam armas uns aos outros, limpando com as costas das mãos o sangue das feridas. (Pág. 164) O português abrasileirou-se para sempre; fez-se preguiçoso, amigo das extravagâncias e dos abusos, luxurioso e ciumento; fora-se-lhe de vez o espírito da economia e da ordem; perdeu a esperança de enriquecer, e deu-se todo, todo inteiro, à felicidade de possuir a mulata e ser possuído só por ela, só ela, e mais ninguém. (Pág. 176) A feroz engrenagem daquela máquina terrível, que nunca parava, ia já lançando os dentes a uma nova camada social que, pouco a pouco, se deixaria arrastar inteira lá para dentro. (Pág. 183) O cortiço aristocratizava-se. (Pág. 200)

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    Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo

    Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (São Luís, 14 de abril de 1857 — Buenos Aires, 21 de janeiro de 1913) foi um novelista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e jornalista brasileiro; além de bom desenhista e discreto pintor. Filho do vice-cônsul português David Gonçalves de Azevedo,ainda jovem, enviuvara-se em boda anterior, e de D. Emília Amália Pinto de Magalhães, que se separara de um rico comerciante português, assiste Aluísio, em garoto, ao desabono da sociedade maranhense à união paternal contraída sem segundas núpcias, algo que se configura grande escândalo à época. Foi Aluísio, irmão mais novo do dramaturgo e jornalista Artur Azevedo, com o qual ,em parceria, viria a esboçar peças teatrais.

    121 Livros
    541 Seguidores
    Maranhão, Brasil

    Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo