A coletânea ora publicada pela Editora Canal Ciências Criminais foi cuidadosamente dividida em três partes, abarcando análises e diálogos entre o Direito (Penal e Processual Penal) e três dos maiores clássicos da literatura mundial: O Processo, de Franz Kafka; 1984, de George Orwell; e O sol é para todos, de Harper Lee.
Direito e Literatura - diálogos c/ Orwell, Kafka e Harper Lee
Paulo Silas Filho (organizador)
Não é por qualquer motivo que “O Processo”, “1984” e “O Sol é Para Todos” figuram como clássicos da literatura mundial. Mesmo se tratando de obras recentes – ao considerar que foram todas produzidas no século XX, ocuparam seu devido lugar de destaque no meio literário, assim permanecendo enquanto importantes obras que contribuem significativamente para a literatura e seus efeitos. Este foi um dos motivos pelos quais foram escolhidas para funcionarem como mote para o presente livro, possibilitando os diálogos críticos do direito que se encontram nas páginas precedentes. Através das mencionadas histórias narradas por George Orwell, Franz Kafka e Harper Lee, os autores construíram ricos escritos nos quais demonstraram que a literatura tem muito a ensinar ao direito. É certo que há variadas formas de se realizar uma abordagem interdisciplinar entre direito e literatura. A que foi feita (os as que foram feitas) no presente livro é uma delas. As questões que dizem respeito à critérios metodológicos, a saber, formas de se proceder a pesquisa na intersecção entre direito e literatura, ganharão corpo num trabalho futuro, uma vez que o trilhar da Comissão Especial de Estudos de Direito & Literatura não se encerra com a presente obra. Assim, os leitores mais interessados na questão de método sobre esse movimento, por exemplo, poderão satisfazer suas pretensões de pesquisa nos escritos da Comissão que se iniciaram em 2018 e permanecem em voga – como nossos membros, novas temáticas, novas abordagens. Há muito ainda por vir... Ao mesmo tempo, inegável o fato de que aqui tivemos um excelente desfecho. Os resultados foram proveitosos e podem ser considerados como mais uma contribuição para o movimento “Direito & Literatura” que tanto tem crescido o Brasil. As expectativas com a coordenação da Comissão 2017 foram superadas por diversos motivos: grande número de interessados que se inscreveram para participar; heterogeneidade nos membros participantes da Comissão; comprometimento e seriedade nos trabalhos produzidos pelos membros que até o fim permaneceram. O mencionado resultado é este que o leitor tem em mãos, onde presentes estão alguns diálogos entre o direito e a literatura. A forma apresentada é livre, tal como foi proposta. Dividindo-se os trabalhos e os autores entre três grandes obras da literatura, interessantes interlocuções daí surgiram, proporcionando reflexões para se repensar o direito. Esperamos que estas tenham tocado o leitor e a leitora de alguma forma, possibilitando que o direito seja também visto com outros olhos, afinal, humanizar o direito é preciso, e por qual razão não poderia se tentar essa humanização através da literatura? Não só de livros técnicos vive (e sobrevive) o bom jurista. O fôlego que permite uma roupagem mais humana ao direito pode (e deve) ser dada pela literatura. Pela leitura de obras literárias, é possível enxergar o direito com outros olhos. As narrativas constantes nos livros de histórias possibilitam pontos de vista diferentes que jamais seriam percebidos apenas com a leitura dos livros acadêmicos. Ambos são importantes e necessários, pelo que a intersecção dos saberes direito e literatura abrem grandes portas para o processo de humanização do fenômeno jurídico. É a aposta que aqui se faz! (da "Conclusão não conclusiva" do livro)
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