Mãe do Nilo -

    Pedro Villani

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    2018
    735 páginas
    1d 0h 30m
    ISBN-10: B07J9K99HS
    Português Brasileiro

    "Hapia abriu os olhos sem entender onde estava, mas esqueceu qualquer preocupação momentânea quando olhou a imensidão azul acima e a bola de fogo brilhante queimando perto do horizonte. Em seus vinte e dois anos de vida, era a primeira vez que colocava os olhos castanhos no céu e no sol. Era cem vezes mais bonito do que imaginava quando ouvia as histórias do pai e dos irmãos, e imensuravelmente mais majestoso e confortante do que o teto da cidade Sobek, onde passara a vida inteira. Se havia sido trazida a arena tão de repente, era porque algo estava errado. A contemplação do céu teria que ficar para depois, seu pai estava em algum lugar precisando dela." O povo do Antigo Egito foi obrigado a construir e viver dentro de uma pirâmide gigante para se esconder de um ser mais poderoso que seu Panteão. A pirâmide é tão grande, que é dividida em várias cidades, cada uma com um Deus patrono diferente. Os deuses e cidades vivem em conflitos entre si tentando se manter em uma posição mais segura e com mais recursos dentro da pirâmide. O livro é uma fantasia que mistura o mito da caverna com a cultura e mitologia do Antigo Egito. O maior diferencial do livro é se tratar de uma história onde os personagens estão presos a uma sociedade que tem medo de mudar o jeito de ser por receio do que possa haver fora da pirâmide. As cidades poderiam viver de forma melhor, mas não o fazem por medo de que qualquer mudança acabaria com a segurança deles. Cabe aos personagens se desenvolverem para ir justamente contra essas resistências a mudanças na sociedade.

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    Karina Souza30/10/2020Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Mito da caverna e mitologia egípcia, tem como dar errado?

    "Só se ele tiver consciência de que está preso. Nesse caso nossa prisão perde o sentido, pois sabendo que está preso ele mesmo pode quebrar o lacre." Uma fantasia inspirada no mito da caverna ambientada no Antigo Egito traz uma estória muito envolvente com vários elementos da mitologia egípcia. O livro todo é repleto de ação, com vários acontecimentos simultâneos que o tornam eletrizante, mas ao mesmo tempo, em alguns momentos a leitura foi um pouco cansativa por conta do ritmo frenético, por isso não consegui ler muito rápido haha Mas a estória é muito envolvente, o mito da caverna fica muito explícito em diversas partes, achei bem interessante a forma com que o autor abordou essa questão. A população vive em uma enorme pirâmide separada em cidades, onde cada cidade venera o próprio deus e disputa com as demais sua posição na pirâmide, o que acho bem simbólico. A cidade do topo pertece a Anúbis, onde desfrutam de diversos privilégios que as demais não têm nos andares inferiores. Todo esse mundo é de uma criatividade incrível! As disputas entre as cidades, o papel dos patriarcas/matriarcas na arena de batalha, as MÚMIAS GIGANTES... Sim, elas participam dos embates, dá para não surtar quando múmias guerreiam? Acho que não. No entanto em meio a tudo isso existe um grande segredo por trás da construção dessa pirâmide que põe em risco a sobrevivência de todos dentro dessa cidade. "O que tem mais chances de sobreviver é o pessimista que imita o passado que deu certo." Sair da zona de conforto, daquilo que é sofrido, mas conhecido, é realmente um grande desafio. E esse povo todo da Pirâmide vai se deparar com um baita problemão, e vão precisar enfrentar o desconhecido. Meu personagem favorito, MARAVILHOSO, 0 defeitos , é o Akhak com certeza! Ele eleva a estória por si só haha Foi o personagem mais bem construído, com uma trajetória e evolução como nenhum outro. -------SPOILLERS A PARTIR DAQUI------ Acredito que as cenas que mais me impactaram foram as que o Akhak aparecia, desde o massacre do escravo por Tum por conta do cachorrinho (tadinho do cachorrinho 😭), a morte de Manir e Munia, e a quase morte Ban (essa eu não ia aceitar de jeito nenhum!) Fiquei com RANÇO da Hapia, que explorava o Akhak, obrigava ele a fazer o que ela queria, abandonou ele no deserto, foi para salvar ele do Exilado e simplesmente falou "ai não vim preparada, eu volto outro dia" 😒 Aff Gostei do final, acho que foi uma boa redenção para a Hapia no fim das contas. Só que teve alguns pontos que afetaram a experiência da leitura: - Havia vários deslizes gramaticais, ortografia, acentuação, apesar de talvez passarem desapercebidos em uma leitura rápida, prejudicou a experiência em algumas partes. - Quando chegava em uma parte em que parecia que tudo estava perdido, aparecia sempre a mesma solução deus ex machina (literalmente haha) onde um ser aparece do nada e salva magicamente o herói (aconteceu na fuga da Pirâmide, tudo desabando, aparecem os deuses todos e magicamente teletransportam a população para fora; aconteceu quando estavam na caverna, parecia que todos iriam morrer na guerra quando Osíris aparece para Belior oferecendo uma saída mágica; aconteceu na própria fuga pelo deserto, com os soldados empurrando as carroças, os perseguidores no encalço e aparece Resheph magicamente com cavalos; aconteceu na batalha contra o Exilado, quando ele ia matar Akhak e magicamente aparece a múmia e salva ele (mas nessa parte eu passo um pano, Akhak não podia morrer de jeito nenhum haha)). - Ausência de romance, poxa, o Akhak sofreu o livro todinho, vai ter que conviver com toda a culpa pelas coisas que teve que fazer pelo resto da vida dele, cuidando de uma criança sozinho, e a gente terminou o livro sem nenhuma perspectiva de alguém esquentando o coraçãozinho dele? 💔

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