Revista Espírita 1866 (Revista Espírita #9) - Jornal de Estudos Psicológicos

    Allan Kardec

    Edicel
    2018
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9788592793265
    Português Brasileiro

    Allan Kardec, de janeiro de 1858 a março de 1869, portanto durante onze anos e quatro meses de trabalho intensivo, ofereceu-nos, ao vivo, toda a História do Espiritismo, no processo de seu desenvolvimento e sua propagação no século dezenove. Podemosacompanhar nestas páginas da Revue Spirite – Journal D’Études Psychologiques, passo a passo, o esforço ao mesmo tempo grandioso e minucioso do Codificador na construção metódica da Doutrina e na estruturação do movimento espírita. A História do Espiritismo se nos apresenta, assim, como uma forma de vivência que se auto fixou na escrita. Podemos senti-la e revivê-la no registro preciso das reuniões, das pesquisas, das comunicações espirituais e dos trabalhos vários da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dos grupos familiares e dos Centros Espíritas, bem como das Sociedades estrangeiras a ela ligadas. Numerosas questões apenas afloradas nos livros da Codificação, que não podiam abranger tudo nem tudo esmiuçar, são amplamente tratadas na Revista, com todos os seus pormenores, e exaustivamente analisadas. A coleção da Revista Espírita é a mais prodigiosa fonte de instruções doutrinárias e informações sobre o Espiritismo.

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    Thiago Toscano Ferrari21/06/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O ano marcado por temas polêmicos!

    Kardec trata com maestria o tema da homossexualidade como uma mudança de sexo do espírito antes de sua encarnação, devido a encarnações anteriores prefigurarem do sexo oposto em sequência, como sendo uma explicação plausível, sabendo, de antemão que o espírito não tem sexo e que precisa experenciar os dois sexos, com a finalidade de progredir. O que me chamou à atenção é que foi tratado em um artigo atestando que a mulher tem uma alma e que o preconceito da época julgava a mulher como uma propriedade e não um ser humano com os mesmos direitos e deveres de um homem. Um outro fato igualmente importante é o desencarne do Sr. Didier, que era editor das obras de Kardec. O codificador ainda deixa expresso que o objetivo da Doutrina Espírita é o melhoramento da humanidade e reprova àqueles que julgam o Espiritismo de charlatanice, devido ao uso indiscriminado e sem método da mediunidade, comparando-o inclusive com as ciências ordinárias, que mesmo havendo quem as abuse, não se é plausível desqualificar a medicina, por exemplo, Neste ano, foi marcado pelo surgimento de um movimento intitulado como "Espiritismo Independente" que tentou segregar-se da tutela da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e que Kardec dedicou um artigo para desabonar esta atitude. Outro fato a salientar é sobre o artigo do codificador na apreciação da obra "Os Quatro Evangelhos" de J. B. Roustaing deixando à crítica do movimento espírita em lhe julgar o conteúdo polêmico que esta obra trouxe ao Espiritismo à época, mas que Kardec já observava que o fato de julgar Jesus como um agênere causava um certo desconforto ao que a Doutrina apresentou até este ano e que o Codificador entabula que Jesus animou um corpo físico em 1868 na publicação da obra "A Gênese". Outro ponto importante foi Kardec evidenciar que o Livro dos Espíritos não é um tratado acabado da Doutrina e que deveria ser considerado como o marco inicial de uma ciência prática que evolui com novas descobertas. O codificador, em dois artigos, trás um estudo minucioso de Maomé e o Islamismo com profundas reflexões acerca desta grande religião e o papel preponderante e eficaz do profeta Maomé em retirar os árabes do politeísmo e trazê-los ao monoteísmo, onde Maomé reconhece o valor de Moisés e Jesus. Entretanto, Kardec critica a poligamia exarada no Alcorão e praticada por Maomé. Um outro fato importante é sobre o desenvolvimento de elucubrações de Kardec quanto a raça negra, onde ele desmistifica a construção racista que em sua época era eivada, dando ao espírito a sua possibilidade de transitar em todas as raças da humanidade. E por fim, de forma lúcida, o codificador demonstra em um artigo sobre o processo de regeneração da humanidade e seu cumprimento nos Evangelhos. Recomendo a leitura e pesquisa!

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