Brilhante
Estação Onze é um romance que me deixou profundamente impactado. Situado antes e depois de uma pandemia devastadora, conhecida como “Gripe da Geórgia,” o livro constrói um retrato ao mesmo tempo sombrio e fascinante de como a humanidade poderia se reorganizar após um colapso global. O que mais me chamou a atenção foi a beleza da escrita. A narrativa é instigante e, com os diversos pontos de vista, tornou a leitura mais rica e interessante. Eu me senti conectado com os personagens e as diferentes camadas da história, especialmente com os detalhes que iam sendo revelados nos diferentes tempos. Os “easter eggs” espalhados pela trama e que se conectavam mais tarde me deixaram absolutamente encantado. Por outro lado, o vai-e-vem entre os diferentes tempos me confundiu em alguns momentos, e em certas partes o ritmo mais lento me deixou um pouco entediado. No entanto, percebo que essa lentidão serviu para desenvolver os personagens de forma detalhada e realista. Entre eles, senti que todos, com exceção de um, eram tridimensionais, com defeitos e virtudes muito críveis. O Profeta, claro, é uma exceção com sua vilania absoluta, mas isso funcionou bem na narrativa. O final foi curioso para mim, porque o livro não segue uma estrutura clássica de começo, meio e fim. Não houve uma grande resolução, mas os acontecimentos marcantes foram satisfatórios. É como se a história fosse mais sobre o percurso e os temas do que sobre chegar a uma conclusão definitiva – e isso me agradou. Acho que minha maior reflexão após terminar o livro é como ele funciona como um ensaio sobre a sociedade em colapso. Mesmo sendo uma obra de ficção, ela me fez pensar muito sobre o que significa sobreviver, criar arte, e encontrar significado em meio ao caos. Foi uma experiência profunda e marcante. Nota: 4.5/5. Uma narrativa belíssima, rica em detalhes e reflexões. Definitivamente vou procurar outros trabalhos da autora.

