Há um fenômeno paradoxal, enquanto sonhamos: ao mesmo tempo em que a mente se acelera brutalmente durante a fase REM do sono, como se estívéssemos acordados, nossos músculos ficam inativos, e mover-se é um suplício - quando não impossível. A atividade onírica é cercada por imobilidade extrema e protetora. Lívia Araújo não se conformou com esse cuidado da natureza e subverteu as coisas: não só colocou no papel a atividade noturna do seu cérebro como expôs as revelações do seu inconsciente. O resultado é fascinante: Santos, sua cidade natal, se mistura com Porto Alegre, onde vive; casas onde ela nunca habitou e pessoas que ela nunca conheceu se mesclam com pai, mãe, amigos, amantes e toda a sorte de personagens. Os sonhos contados por Lívia (ou seriam os contos sonhados por Lívia?) nos levam a refletir sobre que papel desempenham em nossas vidas. Terão se passado mesmo da forma como os lembramos? São fruto apenas de nossa imaginação ou devemos tratá-los como desejos realizáveis? O sonho sou eu? Ou sou eu e tudo aquilo que me cerca? Lívia, obviamente, não responde a nenhuma dessas perguntas. Mas nos lembra, ao citar Yeats, que os sonhos são a fortuna de quem não tem nada. Caminha, portanto, suavemente sobre as relíquias que a autora, generosa, nos dá.
DREAMLOG -
Lívia Araújo
Diadorim
2018
96 páginas
3h 12m
ISBN-13: 9788593107047
Português Brasileiro
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