Sobre a história, eu diria que ela é muito mais sobre Karina (a mocinha) e Janey (a filha de 9 anos do mocinho), do que sobre Karina e Micah. Janey era muito sozinha, sofria com a constante ausência do pai (devido ao trabalho dele) e sofria <i>bullying</i> na escola. Como se não bastasse, a menina também sofria com o terrorismo emocional que a noiva do pai fazia com ela, sempre tentando destruir sua autoestima e seus sonhos. Tudo isso começou a mudar quando Karina virou sua babá. Elas se apegaram rapidamente e ficaram muito amigas. É muito lindo o relacionamento de amor e confiança que as duas vão construindo ao longo da história. É uma das coisas que mais sobressai no livro — até porque boa parte dele é feita com cenas envolvendo as duas. Paralelo a isso, acompanhamos o retorno da mocinha ao mundo da patinação, superando seus medos e inseguranças, com a ajuda de seu parceiro de patins e de uma técnica que também está em busca de um recomeço. Com tudo isso acontecendo, a parte <i>romance</i> da história ficou bem sufocada, quase inexistente. Era raro Karina e Micah estarem juntos, e na metade das vezes que estavam ou ele estava bancando o mal-humorado, ou ele estava com sua noiva desprezível.
Falando de Micah com a periguete (que só estava atrás do dinheiro dele), fica difícil você gostar de um cara que insiste num relacionamento com alguém que o destrata, que grita com os empregados dele (chegando até a arremessar uma panela no mais querido deles, um homem já na casa dos sessenta anos, pelo amor de Deus) e que ainda por cima maltrata a filha dele. A mulher não a agride, mas grita com a menina o tempo todo e fala sempre como ela não tem talento e que nunca vai conquistar nada, transformando Janey numa pessoa insegura e retraída, além de triste. O pior é que a cidadã faz isso na frente de Micah, que deixa por isso mesmo com a desculpa de que ela é quente na cama. <i>Me poupe, se poupe, nos poupe!</i> Ele diz que ama a filha, mas como pode deixar uma coisa dessas acontecer bem debaixo do seu nariz e não fazer nada? Ele só começa a defender a menina (mas não chega a ser grande coisa, não) depois que Karina vai trabalhar lá, porque ela sim defende Janey de tudo e todos, com unhas e dentes. Por essas e outras que o romance de Karina e Micah é quase nulo, só vai rolar no final mesmo, praticamente no último capítulo.
O que deixou essa história interessante, ao ponto de eu não conseguir largar, foi mesmo o relacionamento de Karina e Janey, a interação dela com seu parceiro de patinação (um amigo-irmão de infância) e de ambos com a técnica. Foi bem legal a parte da patinação também. Esse é o primeiro livro que leio abordando o tema e deu pra ver que a autora fez uma pesquisa legal, passando as informações na medida certa, sem se tornar enfadonha. Sinceramente, o romance nem fez falta. Na verdade, até atrapalhou um pouco, se tornando o ponto baixo da história, pois além dos motivos que dei para não conseguir me apegar muito ao mocinho (que está mais pra idiota bocó, do que pra ogro) — sem falar na falta de clima pra romance quando o cara é noivo durante quase toda a história — a mocinha também tinha zero resistência. Karina teve a oportunidade perfeita para ensinar uma lição a Micah sobre não julgar as pessoas, nem tirar conclusões precipitadas, mas não fez absolutamente nada. Nem fazer o cara correr atrás ela fez. No momento em que o mocinho decidiu que ia ficar com ela, ele foi lá e ficou mesmo, numa cena nada romântica, mas sim muito autoritária. Não teve graça.
Como eu disse, o diferencial do livro foi a parte da patinação. De resto, é mais do mesmo (em se tratando de livros da autora): mocinha virgem e inocente, criada por pais religiosos, quase estuprada no passado, traumatizada no presente e sozinha no mundo; mocinho rico, mais velho que a mocinha, com noiva periguete que faz a cabeça dele contra a mocinha, e que fica alternando entre o bom humor e a ogrisse. Não é que o livro não seja bom. Eu gostei bastante dele, pois, com exceção do romance, o resto foi bem trabalhado. Só ficou devendo a reação da periguete quando descobriu quem a mocinha era de verdade. Poxinha, essa cena merecia ter sido mostrada! E faltou um epílogo também, mostrando Janey conquistando seu sonho de ser patinadora profissional. Teria sido bem legal!
<i>Wyoming Legend</i> foi uma leitura agradável, mas que poderia ter um romance melhor aproveitado. Ainda não foi dessa vez que voltei a ser arrebatada por um livro da Diana Palmer, ao ponto de me fazer querer reler o tempo todo (tem tempo que isso não acontece), mas certamente os fãs da autora vão curtir. Tem todos os elementos característicos dela aqui. Por isso, sim, eu recomendo a leitura!
Não acabou por aí, não. Quer ler a resenha completa, saber mais sobre os outros livros ligados à ela e como eles se encaixam com os "Homens do Texas"?! Então visite o blog <b>ROMANTIC GIRL:</b>