Se exitoso foi o livro anterior de Bernardo Nogueira em que articula obras fílmicas pelo olhar da filosofia (e foi), a sequência da mesma proposta em uma nova reunião de textos nessa mesma toada não poderia deixar de também ser exitosa. Prosseguindo com as análises de diversos filmes que levam às mais variadas reflexões filosóficas, o autor reúne aqui diversos pequenos textos de insights, de pensamentos, de abordagens, sempre de forma acurada que faz com que o leitor também acompanhe essa forma de se pensar o mundo por meio de um filme.
Nesse segundo volume de "Cinema com Filosofia", cinquenta novos filmes são analisados com reflexões filosóficas pelo autor. Os mais diversos tipos de filmes recebem a atenção do autor, incluindo filmes cult, filmes clássicos, filmes lados b e tudo o mais que se pode incluir na categoria do cinema. Longe de qualquer pedantismo, portanto, pois há uma pluralidade de obras fílmicas que recebem o mesmo trato cuidadoso nas abordagens realizadas pelo autor. Bernardo é democrático, e o livro evidencia bem isso.
Henriete Karam, que prefacia o livro, registra que o livro "é um convite à intersubjetividade e, ao que tudo indica, nasce de uma necessidade (est)ética vinculada ao ato de compartilhar esse humano que nos habita, por isso é filosófico, por isso é poético". E de fato assim é, pois como bem pontuado no mencionado registro, para além da filosofia há a poesia de Bernardo empregada na obra, fazendo com que a leitura, a compreensão, a interpretação e todo o processo que se estabelece entre autor, leitor e obra sejam aprazíveis.