Ser Negro No Brasil Hoje (Colecao Polemica) (Portuguese Edition)

    Ana Lucia E. F Valente

    Editora Moderna
    1991
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-10: 8516003264
    Português Brasileiro

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Geneide Barbosa Maciel  picture
    Geneide Barbosa Maciel 22/12/2018Resenhou um livro
    0

    O negro brasileiro na atualidade

    O NEGRO BRASILEIRO NA ATUALIDADE Obra: VALENTE, Ana Lúcia E. F. Ser negro no Brasil hoje. 6º edição. São Paulo: Moderna, 1987. 64 p. (Coleção Polêmica). Resenhado por: Geneide Barbosa Maciel O livro Ser negro no Brasil hoje, escrito pela antropóloga Ana Lúcia Valente, traz questionamentos importantes acerca da temática polêmica em debate, discutindo aspectos da cultura negra, enfatizando a situação dos negros brasileiros. Podemos observar logo na introdução onde a autora provoca: “Você já pensou sobre o que é ser negro no Brasil?” (P. 06). O 1º capítulo, Relembrando e reescrevendo a história, sintetiza o que é ser negro no Brasil, um apanhado histórico mostrando o mito da democracia racial brasileira, a autora versa sobre o preconceito racial e discriminação propondo que seja visto como um problema da nossa sociedade. Descreve como fora a condição de escravo dos negros, a resistência “nunca demonstraram ser passivos”, como foi contado na versão dos dominadores. Assim afirma: “Boa parte das noções falsas sobre os negros escravizados não surgiu de um trabalho historiográfico profundo. Pode ser considerado como manifestação do colonialismo e dos interesses que este queria defender [...].” (P. 09) Aborda fatos históricos minuciosos cita a Lei do Ventre Livre, Sexagenários, Lei Áurea, que chama de “condenação formal do sistema escravista” (P. 21). A antropóloga critica a ilusão de que a Lei Áurea trouxe mais dignidade e salvou os negros da escravidão. “A ‘libertação’ dos escravos resultou numa massa de negros que perambulavam pelas fazendas e cidades a procura de emprego” (P. 22). O negro na formação étnica da população brasileira vem exigindo dos estudiosos uma visão mais cuidadosa e aprofundada, dada a importância na formação cultural e genética impressa no povo brasileiro, como uma herança formadora da sociedade. A inter-relação cultural e aculturação que teve início no período colonial desenvolvem-se durante os séculos da história, que não deixaram de omitir os diversos grupos étnicos, a diversidade de valores os quais resultaram em uma longa formação étnica e cultural de várias origens. No 2º capítulo, Racismo à brasileira, Valente fala da realidade dos negros dos Estados Unidos e na África do Sul pra depois chegar ao Brasil. Finaliza que “ser negro no Brasil hoje significa esclarecer aos outros negros e seus descendentes o papel fundamental que eles têm a desempenhar para mudar a situação racial” (P. 29). A necessidade de regular os vários aspectos envolvidos nos relacionamentos sociais decorrentes dessas diferenças, por sua vez susceptíveis de regulação com base em novos valores que pretendem gerar uma ética de igualdade, baseada no respeito (moral) e no reconhecimento (direito) das diferenças e dos pluralismos, que depende cada vez menos de leis e procedimentos formais. Dessa forma a autora afirma: “Ser negro no Brasil é uma questão política. Não a política no sentido partidário, é importante, mas no sentido mais amplo das relações humanas. Para isso, essas relações devem ser conhecidas.” (P. 36). No capítulo seguinte, Quem é negro no Brasil hoje? a autora comenta situações de racismo, discute os estereótipos associados à população negra, as piadas que tem o negro como personagem principal, narra situações de racismo no mercado de trabalho, na escola e em restaurantes. A autora fala também sobre os casamentos inter-raciais e os negros que têm destaque na sociedade brasileira, como exemplo, Pelé e Djavan. Assim observamos a escola como uma instituição formadora da consciência de crianças e jovens, e atuar no combate ao preconceito nos vários âmbitos os quais estão inseridos. Logo, a escola tem um importante papel a cumprir na desconstrução dos estereótipos criados pela sociedade. No capítulo 4º, E agora negro? há a narrativa acerca da resistência negra organizada, os problemas de organização enfrentados nos grupos negros, a militância negra. Mais problemas e dificuldades e ainda a estratégia negra contra a estratégia branca. Apesar do fato de que somos, em virtude de nossa formação histórico-social, uma nação multirracial e pluriétnica, de ampla diversidade cultural, a escola brasileira ainda não aprendeu a conviver com essa realidade, consequentemente não sabe trabalhar com as crianças, adolescentes, ou pessoas adultas negros e negras. O 5º capítulo, Pausa para pensar, trata de um apanhado de ideias, resumindo a luta, o enfrentamento, afirma a importância em discutir tais aspectos que a sociedade resiste em livrar-se e encarar a realidade. “Mais uma vez pode parecer evidente, mas para que as pessoas passem a admitir o problema racial é importante que o assunto seja discutido. Quanto mais se falar sobre ele, mais pessoas começarão a pensar. Pensar e partir para alguma ação.” (P. 60) Racismo é crime! Este é a ênfase colocada no ultimo capítulo do livro, Valente mostra um breve histórico as leis criadas com o propósito de assegurar o respeito à população negra como a Lei Afonso Arinos, de l951, reproduz trechos da Constituição de 1988, que define a prática do racismo como crime. Entretanto, a autora relata: “No nosso entender, sozinhas, as leis são insuficientes para dar fim ao problema racial no Brasil” (P. 61). O preconceito surge em acreditar-se numa verdade adequada a si própria, tal verdade o faz criar conceitos, isso precocemente, nascendo então o preconceito. Essa dificuldade tende a enfraquecer a luta dos afro-descendentes na tentativa de controlar próprio discurso, pois, nos processos de tomar a palavra para dizer o que precisa ser dito, o grupo dominante aciona mecanismos violentos que silenciam outros sentidos possíveis que poderiam ser atribuídos ao dito sobre o negro, mas que são indesejáveis para a manutenção do sistema e a perpetuação das relações de forças. Dessa forma, a autora conclui, “Por fim, queremos fazer um alerta. Falar sobre a questão racial exige seriedade, muito estudo e pesquisa, pois ela é complexa e polêmica. Lidamos com conceitos contraditórios, com dados e situações ambíguas que, de repente, fogem das mãos. [...]” (P. 61). Assim, diversas manifestações de afirmações identitárias, declarando o orgulho de ser negro, denunciavam a existência de preconceito, discriminação e exclusão nas várias esferas da sociedade. A obra de Ana Lúcia Valente é de fundamental importância para firmarmos o compromisso dos educadores partindo do pressuposto que o processo educativo deve ser o de desenvolver, entre diferentes e iguais, a prática da tolerância. É contando com a contribuição de todos, conscientizando os alunos da necessidade de conviver com as diferenças, proporcionando assim a mudança e desenvolvendo a possibilidade para os “diferentes” não se calem diante da discriminação. É preciso que todos se comprometam a não perpetuar a violência racial que impossibilita sem dúvida a democracia dentro da escola. É necessário que tenham responsabilidade ética e educacional para alterá-la, reconstruindo conceitos e definindo novos caminhos à democracia e à gestão democrática na Educação.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    4.7 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%