UMA MULHER ENTRE DOIS - SÉRIE CRIMINAL

    BRUNO FISCHER

    TECNOPRINT
    1962
    204 páginas
    6h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Carla Silva picture
    Carla Silva01/03/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Injustamente Ignorado

    O americano Bruno Fischer (1908-1992) escreveu 25 romances policiais e um outro tanto de contos para revistas pulp fiction como a famosa “Black Mask” – para a qual escreveu também o cultuado Dashiell Hammett. Fischer nunca chegou a ser tão reconhecido. Uma injustiça. Dentre os seus melhores romances, está este: Uma Mulher Entre Dois, publicado em 1960. Interessante é comparar um de seus primeiros trabalhos, Escada para a Morte, de 1939, com esse; é possível perceber a distância que vai de um escritor habilidoso para um profissional altamente consciente do processo de escrita. Em Uma Mulher Entre Dois (The Girl Between) a qualidade salta aos olhos – na descrição física das personagens, na caracterização das mesmas, no cuidado em não repisar, revelando sem abusar de ênfases e praticamente sem uso da grandiloquência. A composição de cenas, mesmo aquelas focadas nas chamadas personagens menores, traz o mesmo apuro; a narrativa em terceira pessoa segue um personagem, observa-o, centra-se nele, e só após algumas páginas, a intervalos, passa a seguir outros; o “foco” do autor parece acompanhar determinadas figuras somente quando fazê-lo se torna importante para Fischer: quando ele decide nos mostrar quem é este ou quem é aquela, quais os seus pensamentos e motivações – já que as motivações de certas figuras constituem também pequenos mistérios dentro do enredo policial. Um policial noir. Porque seu protagonista é um anti-herói, porque o sentimento de insegurança atravessa toda a narrativa (todos estão sujeitos à violência), há uma angústia no comportamento do protagonista e uma realidade social cruel é posta em primeiro plano – porém Fischer não facilita aqui: a verdade obsessiva em seus romances, o da importância do dinheiro, não se mostra em discursos pífios e frases banais. Uma Mulher Entre Dois se destaca dentro da obra de Bruno Fischer (digo isso como leitora de 19 dos seus 25 livros) pela criação bem sucedida de um protagonista anti-herói. O autor havia tentado o mesmo em Código de Honra, sem sucesso, em minha opinião: seu personagem ali é apenas desagradável e até artificial. Mas neste romance de 1960, Fischer consegue: cria um “herói” questionável, imerso na corrupção política e nos meandros do poder. E ainda: consegue nos fazer gostar dele. E acompanhar a narrativa de mais de 200 páginas pensando se haverá, ou não, redenção para seu Curt Stone. Ainda: é possível que aqui também esteja a mais bem construída figura feminina de seus livros, uma heroína. Ah, Uma Mulher Entre Dois possui uma heroína? Sim. Embora o leitor leve algum tempo para descobrir quem ela é.

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