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    Clara dos Anjos -

    Lima Barreto

    Paulus
    2014
    211 páginas
    7h 2m
    ISBN-10: B00MY5F0KE
    Português Brasileiro
    4.2
    10 avaliações
    Leram11Lendo2Querem6Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados6Avaliaram10

    Clara dos Anjos foi o primeiro romance de Lima Barreto, escritor brasileiro que escolheu o subúrbio do Rio de Janeiro para ser o cenário de sua obra. A protagonista da história, Clara dos Anjos, é uma jovem mulata e ingênua, filha do carteiro Joaquim dos Anjos. Seduzida pelo malandro Cassi Jones, rapaz branco, ignorante, torpe e conhecido por ter desonrado muitas donzelas, Clara, envolvida, acaba engravidando e sendo vítima do preconceito racial no momento em que procura a família de Jones para pedir ajuda.

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    Andressa Bastos picture
    Andressa Bastos01/03/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Virei fã

    No subúrbio do Rio de Janeiro, mora a família de Clara: o pai, Joaquim, trabalha como carteiro, é o provedor do lar e também o encarregado de descascar pepinos, uma vez que a esposa se abstém de qualquer decisão, até mesmo as que lhe cabem. Por falar na digníssima, Dona Engrácia é uma mãe excessivamente protetora, no entanto, sua inércia natural não a permite que isso a leve a ter conversas importantes com a filha, só a vigiá-la como um cão de guarda e deixar Joaquim responsável por tudo. Esse modo alheio de criação de ambos, torna Clara, uma jovem negra de 17 anos, o alvo perfeito para o plano de qualquer pessoa má intencionada e determinada o suficiente. Para o azar da família, (e de Clara, principalmente), o pior sujeito desse tipo foi convidado pra tocar em seu aniversário. Cassi tem pouco menos de 30 anos, é um mau caráter de família rica, aparência insignificante, mas bom de lábia, conhecido na cidade por destruir o futuro de várias moças. O motivo de continuar solto por aí, tranquilo para escolher a próxima vítima para enganar, é a mãe que, movida por seus preconceitos e ares de grandeza, nunca hesitou em defender a crapulice do filho ao marido. Ao fazer isso, Cassi se via livre de qualquer ameaça da polícia, fosse de casamento ou da cadeia. Tal manobra, de tão frequente e bem sucedida, lhe deu muito cedo a certeza da própria impunidade e de seus privilégios. A história não me surpreendeu tanto, pois a sinopse entrega bastante e, na minha opinião, não vai muito além disso. No entanto, a escrita de Lima Barreto é primorosa, irônica, cheia de um humor ácido, crua quando tem que ser, ao mesmo tempo em que também tem certa poesia ao apontar as constantes injustiças, a desigualdade social, o racismo e o desprezo do governo para com a população mais pobre, destinada por ele a ter cada vez menos. Sua trama, de tão fluida, me deixou cada vez mais ansiosa pra continuar, indo contra tudo o que pensei. O meu encantamento pela escrita do autor, me permitiu aproveitar cada página a ponto de, por muitas vezes, eu voltar pra ler certos trechos, fazer marcações gigantes e rir das sacadas maravilhosas, sempre em tom de crítica, àquela sociedade preconceituosa e, mesmo hoje, passado quase um século, tão pouco evoluída. Clara dos Anjos é um clássico nacional surpreendente, mas o seu brilho não está em Clara, nem em nenhum de seus personagens, embora não lhes falte construção. O brilho se concentra na narrativa de Lima Barreto. Esse foi o meu primeiro contato com os seus livros e não vejo a hora de explorar mais do legado que ele deixou na literatura brasileira. Clássicos não são sempre chatos como a escola fez a gente pensar e Clara dos Anjos é só mais um dos tantos exemplos disso. Dê uma chance e veja por si mesmo(a).

    2 curtidas

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    4.2 / 10
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    • 4 estrelas70%
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    Afonso Henriques de Lima Barreto profile picture

    Afonso Henriques de Lima Barreto

    Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 - Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1922), melhor conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros. Era filho de João Henriques de Lima Barreto (mulato nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). O seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o famoso periódico "A Semana Ilustrada". A sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1ª a 4ª série. Ela morreu cedo e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como suas remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Afonso Henriques de Lima Barreto