A psicopatologia clínica mais difundida é uma espécie de enfant terrible da sua mãe, a medicina. Encantadora e infernizadora de quem dela se aproximam. Ela provoca um encantamento por ser ainda uma criança - sua complexidade e constante rebeldia em obedecer aos ditames lógicos adotados pela mãe garantem sua importância e alteridade. Infernizadora por provocar agressividade - 'com a morte e a violência não se pode fazer jogos intelectuais, minha filha!', diria a medicina. O contato constante com a violência e a morte garante que ela deve se limitar ao procedimento mais seguro na luta contra a dor e o sofrimento - descrever o inimigo para melhor combatê-lo. Mas, o inimigo precisa ser localizado, mesmo que este seja multifacetado, com tendência para camaleão, pode se apresentar como sintoma, sinal, síndrome ou queixa. Assim, é mister torná-lo concreto, palpável, nem que seja através somente de descrições e termos. O termo síndrome é justamente o conjunto, reunião de signos clínicos que os clássicos nos apresentaram e que pensamos ser a porta de entrada principal no raciocínio médico prevalente para se estudar o fenômeno patológico.
Psicopathologia II
Francisco Martins
2018
396 páginas
13h 12m
ISBN-13: 9788590345428
Português Brasileiro
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