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    A Esperança -

    André Malraux

    Record
    2000
    476 páginas
    15h 52m
    ISBN-10: 8501054291
    Português Brasileiro
    3.6
    9 avaliações
    Leram16Lendo2Querem63Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos2Desejados63Avaliaram9

    Em Junho de 1936, o líder da oposição de direita é assassinado na Espanha, deflagrando uma revolta militar liderada pelo nacionalista Francisco Franco. A guerra civil que se seguiu durou três anos, opondo nacionalistas, religiosos e monarquistas, que controlavam o exército e eram apoiados pelos governos da Alemanha e da Itália, e as forças republicanas, que contavam com a polícia e os carabineiros, além de milícias operárias. Os legalistas eram apoiados pela União Soviética, Grã-Bretanha, México e França, e principalmente pelas Brigadas Internacionais, formadas por 35 mil voluntários de 50 países. Um desses voluntários era André Malraux, que, um mês após o início do conflito, organizou a esquadrilha España que, com menos de vinte aviões, participou de combates no vale do Tajo, em Toledo, Aragão e Málaga. Malraux, que não pilotava, participava das missões como observador e algumas vezes como artilheiro. Depois, passou a actuar como embaixador dos republicanos, inclusive com um périplo pelos Estados Unidos, discursando e recolhendo doações para hospitais espanhóis. Em Abril do ano seguinte, retornou à Europa para escrever A esperança, concluído em poucos meses e lançado em dezembro de 1937. O livro ainda daria origem a um filme, de mesmo título, lançado em 1939. Desde seu lançamento, A Esperança dividiu a crítica, indecisa entre tratar o livro como um romance ou como uma reportagem. Para Jean Lacouture, essa é uma questão menor, pois se a obra é um testemunho do engajamento de Malraux, a esperança do título vai além do episódio espanhol (ainda que crucial), para falar de todas as lutas travadas no século XX para mudar a condição humana. "Como se ele não devesse ser admirado por ser uma reportagem. Ademais, o que é um romance?".

    Resenhas (1)Ver mais
    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior29/03/2024Resenhou um livro
    0

    Uma antiga canção chamada Brothers in Arms

    “A esperança”, de André Malraux, é um livro de guerra. Ou melhor, sobre guerra e, mais especificamente, sobre a Guerra Civil Espanhola. E, para facilitar a compreensão do leitor, transcrevo parte do escrito na orelha do livro: “Em junho de 1936, o líder da oposição de direita é assassinado na Espanha, deflagrando uma revolta militar liderada pelo nacionalista Francisco Franco. A guerra civil que se seguiu durou três anos, opondo nacionalistas, religiosos e monarquistas, que controlavam o exército e eram apoiados pelos governos da Alemanha e da Itália, e as forças republicanas, que contavam com a polícia e os carabineiros, além de milícias operárias. Os legalistas eram apoiados por União Soviética, Grã-Bretanha, México e França, e principalmente pelas Brigadas Internacionais, formadas por 35 mil voluntários de 50 países.” Um desses voluntários era o francês André Malraux, que participou ativamente dos combates como observador e como artilheiro e, logo após, viajou aos Estados Unidos para recolher doações para a causa. Ao retornar à Europa, escreveu o livro de que agora falamos, transformado em filme poucos anos depois. “A esperança” é um retrato fiel da guerra, com a descrição impiedosa e crua do conflito entre compatriotas. Dezenas (talvez centenas) de personagens se cruzam, mas é impossível dizer que são realmente personagens. É mais provável que tenham sido pessoas reais que passaram pela vivência do narrador enquanto participou do conflito, sendo imortalizadas por ele nessas páginas. Nada é idealizado no livro. Tudo é retratado de forma técnica, tanto por meio de narrações de ações de combate, quanto pelo retrato fiel do enorme sofrimento dos combatentes e dos civis. E é por tal motivo que surgiu a polêmica sobre se o livro poderia ser classificado como romance ou como reportagem. E classifica-se então o livro como um romance-reportagem, ao que parece para conciliar em definitivo tais pontos de vista. (E eu me lembrei de um dos clipes musicais que mais me marcaram: “Brothers in Arms”, do Dire Straits.) Vale a pena ler “A Esperança”? Sim, mas não espere heroísmo, idealização ou o pieguismo de certas narrativas que tomam o horror da guerra apenas como pano de fundo para o desenvolvimento (?) de personagens lacrimosos. Se, afinal, o livro já começa nos jogando de paraquedas em meio a um combate em que pouco pode ser entendido, que não dá para saber quem está lutando contra quem e muito menos o que significa o emaranhado de siglas de partidos políticos, de organizações militares e de associações civis, isso demonstra um pouco do enorme horror do que é viver em meio a uma guerra que pode tirar tudo e todos de você, sem nem mesmo ter entrado nela...

    1 curtida

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    Avaliações

    3.6 / 9
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas11%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas11%
    André Malraux profile picture

    André Malraux

    Romancista, aventureiro e político francês. Personagem representativa da cultura francesa que girou em torno do segundo terço do século XX. Em sua vida se confundem os elementos romanceados do escritor com a expressão do homem público, a propaganda do político e a realidade dos fatos históricos que viveu. Esta diversidade tem levado a algum de seus críticos, como o biógrafo Olivier Todd a considerar a Malraux como o primeiro escritor de sua geração que conseguiu edificar de uma maneira eficaz seu próprio mito.

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    André Malraux