Sobre as manifestações de 2013
Muito do livro reflete sobre as manifestações de 2013. A insatisfação popular com o governo petista, as pautas heterogêneas e localizadas mas que foram gerando revolta no país inteiro e a faísca gerada pelo movimento MPL (Movimento Passe Livre), tornaram aquele ano tão histórico quanto as Diretas Já. As análises foram próximas das manifestações, portanto, ainda não havia o desenlace do golpe de 2016 e da ascensão bolsonarista. Partidos como o PSL e PL ainda eram insignificantes visto o monstro que viriam a se tornar. Outros movimentos como o MBL e a operação Lava Jato ainda estavam em gestação. Mas algo é certo: todos se nutriram desse ano de revoltas. A massa popular estava pronta para ser manipulada e foi cooptada pela direita e extrema direita. Para além disso, o livro também fala dos precários na época. Hoje, precarizado nos lembra um motorista de uber ou motoqueiro do IFood. Mas, na época, eram os operadores de telemarketing. A promessa de renda e riqueza através da meritocracia permanece sendo a grande propaganda das empresas, mas o que se constata é a escravidão moderna através de jornadas extenuantes, locais insalubres e/ou trabalho de risco com uma remuneração que passa longe de ser o ideal visto a lucratividade das empresas.

