Em viagem a Curitiba adentrei um sebo e perguntei ao atendente uma dica sobre autores que relatavam a cidade e eram da cidade, eis que no sebo (Sebo Arcádia e Café) há uma estante com autores paranaenses. Uma coisa incrível que todos os sebos deveriam ter para se diferenciarem. Recomendado.
(...)
Acerca do "O Guardador de Fantasmas", é um livro bem íntimo, que se constrói assim como a construção de uma cidade/país, erguem-se coisas memoráveis, coisas para serem deslumbradas, e outras apagadas, excomungadas, muitas para serem esquecidas.
É um mergulho traumático, há todo um trauma a ser desvendado, culpas, e um vigor enorme de não lembrar de coisas que devem ser esquecidas para se poder continuar aturando a vida, e mesmo assim, são coisas que não podem ser esquecidas. Eventos traumáticos, que causam um dor mesmo que a ferida ainda não se apresente tão perceptível. É um livro com algumas cenas fortes, palavrões, que não poupa em contar o que tem de ser contado, é sobre o surgimento da ditadura, do período anterior dela.
Mas mais que isso, é uma crítica sobre a própria cidade de Curitiba, ao estado do Paraná, ao povo que manifesta tão pomposa lembrança das terras de seus avós, mas se inquieta num passado recente, pois, é explicitado que isto fora um projeto manejado durante o período da ditadura, e assim segue, ao passo que ao ler o livro pude perceber as insinuações do autor, as críticas dadas, os lugares relatados, e o compromisso meu além de turismo por uma cidade fora conhecer sua história, mas não aquela belo, bonita, romantizada, mas a esquecida, e somente em um sebo poderia tê-la encontrado.