Religião e Sociedade, Rio de Janeiro, 37(1): 122-143, 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0100-85872017v37n1cap07.:Da relação entre o cristianismo e a sexualidade se faz de praxe um resumo seco: desconfiança, negação e repressão, a contrastar com o destaque que dão ao sexo os mundos pagãos e até com a atitude das outras religiões “do livro”, o Judaísmo e o Islã. Nenhuma outra religião concede à virgindade e ao celibato o estatuto que o cristianismo lhes concede, e este ascetismo de partida favorece uma posição ultraconservadoraem tudo que diz respeito a noções de gênero, matrimônio e família, e uma resistência ferrenha a aceitar mudanças na moral sexual, familiar e reprodutiva.O catolicismo, neste ponto, representa o extremo de um continuum em que outras variantes do cristianismo ocupam posições muito mais moderadas, fazendo dessa resistência um signo de identidade católica.
