Quando morreu, o Sr. Napumoceno era um conceituado comerciante do Mindelo. A reputação da sua casa comercial tinha uma correspondência perfeita na sua reputação pessoal - bom, íntegro, sério, sem vícios, rico e respeitado. Mas a leitura das centenas de páginas do seu testamento lançou «uma nova luz sobre a vida e a pessoa do ilustre extinto». Página a página, o leitor vai assistindo à construção de uma personagem fascinante, rica, complexa, contraditória, fortemente enquadrada no pano de fundo que é a sociedade cabo-verdiana. Este romance de Germano Almeida foi adaptado ao cinema por Francisco Manso, no filme «O Testamento do Sr. Napumoceno». Prefácio de Paula Tavares
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (Livros RTP) -
Germano Almeida
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Uma das coisas que eu dou prioridade na hora de escolher minhas leituras é a de que sejam livros dos mais diversos países, isso para mim é uma forma de conhecer outros locais e culturas, das quais possivelmente só irei conhecer através da literatura. E foi com base neste critério, entre outros, que decidi ler O testamento do Sr. Napumoceno, do escritor cabo-verdiano Germano Almeida, cuja estória obviamente se passa em Cabo Verde, mais precisamente na ilha de São Vicente. Ao morrer o Sr. Napumoceno deixou um testamento de trezentas e oitenta e sete laudas, onde contava inúmeros detalhes de sua vida e de como conseguiu se tornar um importante comerciante e respeitado membro da sociedade da ilha de São Vicente, e também várias instruções sobre seu próprio funeral. A descoberta deste testamento é algo que surpreende a todos, já que o Sr. Napumoceno sempre foi alguém completamente discreto e metódico na forma como conduziu sua vida até então. O que mais surpreende a todos é no mesmo testamento O Sr. Napumoceno decidir revelar que tem uma filha, não reconhecida, Maria da Graça, fruto das constantes relações sexuais que teve com a mãe dela Maria Chica, que era encarregada da limpeza do escritório. É para Maria da Graça que ficou tudo o que o seu pai possuía em vida, e isso logo desperta a inveja do sobrinho Carlos, que sempre se aproveitou do tio e tramava pelas costas do mesmo, e que também jurava que iria ficar com a herança toda para ele. Após o choque inicial Maria da Graça decide buscar saber mais sobre seu pai, como ele enriqueceu, como cresceu e entre suas buscas ela acaba se deparando com a figura de Adélia, o grande amor de seu pai. Diante dela os escritos que seu pai foi escrevendo ao longo da vida vai descortinando um leque das relações desde a fiel empregada d. Eduarda, até mesmo as suspeitas e posteriormente confirmação das tramoias do seu sobrinho Carlos. Ao longo de 158 páginas Germano Almeida vai descortinando em um tom bem-humorado toda uma pequena saga da vida deste fascinante personagem, que de pequena aqui só a quantidade de páginas, já que a vida do Sr. Napumoceno é completamente aproveitada e bem vivida. Este livro é uma pérola da literatura Cabo verdiana, ao final dele eu como leitor só tenho uma queixa: que seja lançado no Brasil mais livros deste autor divertidíssimo.
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