Afinal, médico tem cara de quê?
Escrita simples, objetiva, cujas cartas beneficiam aquele leitor que visa estabelecer leituras simultâneas e escolhe por incluir textos curtos, como cartas ou crônicas. Sua excelência está intrínseca pela dito do óbvio, tão esmaecido quando observado na prática médica, a humanidade do exercício da medicina de qualidade. Porto salienta a importância da integralidade da medicina, que visa abranger as relações com o paciente para além do conjunto de técnicas e informações, incluindo o contexto cultural e o meio ambiente. Seus textos são coesos entre si a partir da linha de humanidade que tece suas ideias, se afastando do tecnicismo da medicina moderna, da herança puramente cartesiana e positivista das ciências, e se aproximando da medicina como associação entre ciência e arte, que se baseia em evidências, vivências e ética. Embora eu muito tenha me beneficiado com essa leitura pelo aprendizado do que não se é ensinado nos centros acadêmicos de ensino, houve uma carta em especial que muito me chamou atenção pela indignação que senti. Trata-se da segunda carta, logo na primeira parte do livro, "A aparência do médico... E do estudante de medicina". Porto estabelece uma leitura depreciativa de piercings e tatuagens por parte dos médicos de maneira a exortar a não utilização de piercings ou a cobertura de tatuagens a fim de evitar conotações negativas por parte dos pacientes. Segundo ele, adquirir a "aparência de médico" faz parte do processo de tornar-se médico. Afinal, médico tem cara de que?
